Sean estava tenso e desconfortável na entrevista, diz psicanalista

Profissional contratado pela família brasileira do garoto afirmou que entrevista nos EUA foi invasão de privacidade

Priscila Bessa, iG Rio de Janeiro |

Fabrizia Granatieri
O psicanalista Luiz Alberto Py (ao centro) analisou a entrevista concedida por Sean a pedido da família brasileira
Contratado pela familia brasileira do menino Sean Goldman, de 11 anos, para fazer uma análise da entrevista concedida pelo garoto na semana passada à rede de TV americana NBC, o psicanalista Luiz Alberto Py afirmou nesta segunda-feira (30) que a criança pareceu estar tensa, desconfortável e sem naturalidade quando falava.

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Na ocasião da entrevista, Sean disse que o pai, o norte-americano David Goldman, é o “seu melhor amigo. Afirmou também que teve “sentimentos confusos” sobre deixar o Brasil, mas depois que entrou no avião, ele só queria que tudo acabasse.

Py afirmou que chamou-lhe atenção o fato de o menino, em uma certa parte da entrevista, ter caminhado com os dois braços à frente do corpo sem movê-los e se manter sempre com olhar fixo. Para ele, isso foram sinais de tensão interna e desconforto.

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"Até o seu riso pareceu conter um certo crivo, autorizado por ele mesmo, não natural. Durante a entrevista, apareceu um coleguinha do Sean. Esse menino se expressa normalmente enquanto que o Sean fala cuidadosamente, quase monossilábico. Faz questão de falar apenas da relação com o pai", explicou.

Reprodução
Sean durante entrevista para a TV norte-americana
O psicanalista disse ter achado relevante o momento em que o garoto fala da avó materna, Silvana BIanchi. Na entrevista, o menino afirmou que era melhor não pensar nela.

"Por quê ele prefere não pensar na avó? Talvez para evitar sofrimento. Com isso, podemos imaginar que o Sean tem uma relação positiva com essa avó, que está distante e lhe causa sofrimento", opinou

Py afirmou que também lhe chamou atenção o fato de Sean ter dito que só pensa em visitar a avó no Brasil quando estiver mais velho.

"Isso me pareceu que ele pretende fazer isso quando puder agir de acordo com os seus próprios desejos e não com circunstâncias impostas", disse.

Falta de privacidade

O psicanalista afirmou que a entrevista representou um nível de invasão muito grande na privacidade do garoto e não vê isso como positivo para o menino.

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"Fico imaginando que todos os coleguinhas de Sean, todas as pessoas com quem ele se relaciona vão ter aesso a uma entrevista onde o menino tem sua intimidade emocional desnundada. Não consigo imaginar isso como positivo. O terapeuta do Sean terá muito trabalho para dar conta de toda essa exposição, absolutamente imprópria", analisou.

Para Py, Sean não foi obrigado a falar o que falou na entrevista mas acha que "ele não teve opção de não dar a entrevista".

"Não pediram a permissão dele. Ele enfrentou o que foi imposto", declarou.

Entenda o caso

Desde 2008, Sean é alvo de uma disputa judicial entre a família da mãe - Bruna Bianchi, morta após o parto de sua segunda filha, em 2008 - e David. Bruna era casada com David, morava nos Estados Unidos quando decidiu vir com o filho ao Brasil para visitar a família.

Posteriormente, comunicou ao marido que não retornaria ao país e que Sean ficaria com ela. David, então, entrou com processos na justiças brasileira e norte-americana para reaver a guarda do filho e usou como argumento a Convenção de Haia, que determina que o fórum para decidir sobre assuntos deste tipo é a Justiça do país de origem da residência do casal.
Com a morte de Bruna, a família dela decidiu não devolver Sean ao pai. Com base na Convenção de Haia, em dezembro de 2009, o Supremo Tribunal Federal (STF) concedeu a guarda de Sean ao pai.

Sobre sua vida no Brasil antes do pai conquistar a guarda, Sean disse: "Eu não estava com raiva, mas estava confuso", disse, sempre em inglês. "Onde estava meu pai? Eu tinha medo de perguntar."

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