O norte-americano David Goldman estaria exigindo US$ 250 mil da família brasileira para quitar as custas dos advogados.

Carlos Nicodemos (à direita) juntamente com o advogado Frans Nederstigt (à esqueda) e o psicanalista Luiz Alberto Py (ao centro)
Fabrizia Granatieri
Carlos Nicodemos (à direita) juntamente com o advogado Frans Nederstigt (à esqueda) e o psicanalista Luiz Alberto Py (ao centro)
O advogado Carlos Nicodemos, que representa a avó materna do garoto Sean Goldman, Silvana Bianchi, disse nesta segunda-feira (30) que o pai do menino, David Goldman, teria exigido US$ 250 mil (cerca de R$ 471 mil) que seriam utilizados para pagar as custas dos advogados que trabalharam no processo judicial pela guarda de Sean, que foi ganho pelo norte-americano no final de 2009.

Segundo o advogado, essa seria uma das três exigências feitas por Goldman para permitir que a família brasileira visite o garoto, atualmente com 11 anos. Nicodemos afirmou que David exigiu também que a família não exponha o menino à mídia e que sejam retirados todas as ações judiciais.

De acordo com o advogado, as duas últimas exigências serão atendidas mas o pedido de dinheiro foi considerado absurdo pela familia.

Nicodemos ainda comentou sobre o temor de David de expor Sean à mídia. Segundo ele, durante o processo de guarda do garoto, o norte-americano explorou a imagem da criança, vendendo camisetas, canecas e com um livro que está em turnê pelos Estados Unidos.

"Pelo que se vê, essa exigência não se aplica a ele (David). Temos informações de que todas as notícias veiculadas ao menino são decorrentes de acordos comerciais da própria família de David Goldman com canais de comunicação para ter uma promoção midiática da história que envolve o garoto", reclamou.

Na semana passada, Sean deu a sua primeira entrevista à uma emissora de TV norte-americana. Na ocasião, o menino admitiu que teve “sentimentos confusos” sobre deixar o Brasil, mas depois que entrou no avião, ele só queria que tudo acabasse.

Sean durante entrevista para a TV norte-americana
Reprodução
Sean durante entrevista para a TV norte-americana
Omissão

O advogado afirmou que não está respeitado o acordo firmado pela Convenção de Haia que garante o direito da família brasileira de visitar o menino. De acordo com ele, o governo norte-americano não reconhece esse direito. Disse ainda existir omissão por parte do governo brasileiro no caso.

"Há um silêncio do governo brasileiro diante da negativa do governo dos Estados Unidos de aplicar a reciprocidade para garantir o direito da visita da avó materna de Sean. Isso mostra uma subserviência. A omissão do Itamaraty diante desta negativa do governo americano nos leva a acreditar que houve interferência de interesses particulares sobre a aplçicacao de um tratado internacional de direito público", declarou.

Para Nicodemos, a suposta omissão do governo brasileiro no caso abriria um precedente em outros casos similares e cria uma dúvida se os brasileiros estão sendo defendidos pelas autoridades do país em âmbito nacional ou não.

O advogado afirmou ainda que, desde a saída de Sean do Brasil, tem promovido ações judiciais para restituir o direito de visita e garantir a aplicação da Convenção de Haia. Ele disse que, após as negativas do governo norte-americano, nenhuma medida foi tomada pelo governo brasileiro, seja pelo Itamaraty ou Ministério das Relações Exteriores, para ajudar a família materna do garoto.

“O único pedido que temos nas ações é pelo direito à visita e não à guarda”, afirmou.

Entenda o caso

Desde 2008, Sean é alvo de uma disputa judicial entre a família da mãe - Bruna Bianchi, morta após o parto de sua segunda filha, em 2008 - e David. Bruna era casada com David, morava nos Estados Unidos quando decidiu vir com o filho ao Brasil para visitar a família.

Posteriormente, comunicou ao marido que não retornaria ao país e que Sean ficaria com ela. David, então, entrou com processos na justiças brasileira e norte-americana para reaver a guarda do filho e usou como argumento a Convenção de Haia, que determina que o fórum para decidir sobre assuntos deste tipo é a Justiça do país de origem da residência do casal.

Com a morte de Bruna, a família dela decidiu não devolver Sean ao pai. Com base na Convenção de Haia, em dezembro de 2009, o Supremo Tribunal Federal (STF) concedeu a guarda de Sean ao pai.

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