Taxa de fecundidade da brasileira cai a 1,9 filho por mulher, diz Censo

De acordo com o IBGE, pela primeira vez, mulher brasileira tem menos filhos que o nível necessário para a reposição da população

iG São Paulo |

A taxa de fecundidade da mulher brasileira manteve a forte tendência de queda que começou na década de 1970 e chegou a 1,9 filhos por mulher, divulgou nesta sexta-feira o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) com base nos dados coletados para o Censo 2010.

Esse número indica que o Brasil caiu pela primeira vez abaixo do nível de reposição da população, que corresponde a 2,1 filho do mulher, valor que garante a substituição das gerações.

Segundo a pesquisa, a taxa de fecundidade total no País, que era de 2,38 filhos por mulher, em 2000, chegou a 1,9 filho por mulher, apresentando uma queda de 20,1% na última década. No período compreendido entre os Censos Demográficos de 1940 e 2010 a diminuição no número de filhos tidos nascidos vivos por mulher foi de 4,26 filhos. Essa redução foi o principal fator para o decréscimo do ritmo de crescimento da população brasileira.

De acordo com o IBGE, o declínio das taxas de fecundidade total observado no País entre 2000 e 2010 ocorreu em todas as regiões brasileiras. As maiores quedas foram observadas nas Nordeste e no Norte, 23,4% e 21,8%, respectivamente. Essas regiões possuíam, em 2010, os mais altos níveis de fecundidade. Na região Norte, uma mulher ao final de seu período fértil teria em média 2,47 filhos, portanto a única com uma fecundidade acima do nível de reposição. As regiões Sul e Sudeste, apesar dos baixos níveis de fecundidade já observados, ainda apresentaram nos últimos dez anos uma queda significativa, de cerca de 20%, chegando às taxas de fecundidade total de 1,78 e 1,70 filho por mulher, respectivamente.

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Taxa de fecundidade da brasileira está abaixo do nível de reposição, que corresponde a 2,1 filhos por mulher
No Centro-Oeste houve a menor queda relativa, de 14,5%, onde a fecundidade, em 2010, chegou a 1,92 filho por mulher. Em relação aos Estados, o Acre possui a taxa mais alta do Brasil (2,82 filhos por mulher), em contraste ao 1,67 filho por mulher constatado em São Paulo.

Filhos pra mais tarde

Segundo o Censo 2010, a tendência observada no Brasil até o ano 2000 era de um rejuvenescimento do padrão da fecundidade, indicado pelo aumento da concentração nas idades mais jovens dentro do período fértil, entre 15 e 24 anos de idade. Na última década foi observada uma reversão desta tendência, já que os grupos de mulheres mais jovens, de 15 a 19 anos e de 20 a 24 anos de idade, que concentravam 18,8% e 29,3%, respectivamente, da fecundidade total, passaram a concentrar 17,7% e 27,0% em 2010.

O grupo de mulheres de 20 a 24 anos de idade ainda representa mais de um quatro da fecundidade brasileira, mas nos grupos de mulheres acima de 30 anos de idade há um maior aumento dessa participação relativa. Outro indicador que expressa esse comportamento é o aumento da idade média da fecundidade, que passou de 26,3 anos, em 2000, para 26,8 em 2010.

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