PF faz hoje operação-padrão nos principais aeroportos do País

Agentes protestam contra as terceirizações em funções exclusivas da Polícia Federal nas áreas de triagem; movimento ainda é tranquilo nos terminais

iG São Paulo |

Os policiais federais realizam nesta quinta-feira uma ‘operação-padrão’ nos principais aeroportos brasileiros como forma de protesto contra as terceirizações em funções exclusivas da Polícia Federal (PF) . De acordo com o presidente da Federação Nacional dos Policiais Federais (Fenapef), Marcos Wink, o objetivo é chamar a atenção do governo sem trazer prejuízos aos usuários dos aeroportos.

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Apesar da operação-padrão, a situação é tranquila no aeroporto Internacional Tom Jobim, na Ilha do Governador, na zona norte do Rio de Janeiro. Os passageiros enfrentam filas de cerca de 100 metros para poderem embarcar enquanto têm seus documentos checados pelos agentes*.

Em São Paulo, a operação é concentrada apenas no Aeroporto Internacional de Guarulhos, Cumbica, na região metropolitana. Segundo a assessoria da Empresa Brasileira de Infraestrutura Aeroportuária (Infraero), os agentes federais intesificam a fiscalização e conversam com os passageiros no saguão, mas o movimento é normal nesta manhã. O mesmo cenário é encontrado nos terminais internacionais de Brasília (Presidente Juscelino Kubitschek) e Curitiba (Afonso Pena).

WERTHER SANTANA/AGÊNCIA ESTADO/AE
Portão de embarque internacional do Aeroporto de Cumbica, em Guarulhos, nesta quinta-feira

Wink disse que as funções exclusivas da PF estão sendo paulatinamente terceirizadas pelo governo. “O terceirizado deveria ser usado para as atividades meio, nunca para as atividades fim. Estão tentando terceirizar as pessoas para exercerem uma atividade de policial, como autorizar a entrada de estrangeiros no País."

Divulgação
Campanha da operação-padrão divulgada pela Federação Nacional dos Policais Federais
Durante a ação, os policiais vão alertar a população para a insegurança nos aeroportos e checar a documentação e bagagens de todos os passageiros que desembarcarem ou embarcarem no país. “Este trabalho deveria ser rotineiro, mas por falta de efetivo não é feito. A gente está fazendo isso para mostrar a precarização do serviço da PF."

Com isso, os agentes podem verificar, um a um, se os passageiros têm impedimentos criminais ou judiciais para deixar ou entrar no Brasil. Esse processo normalmente ocorre por amostragem. Tal mudança poderá gerar filas na imigração.

Reajuste salarial

Para o presidente da Fenapef, além da falta de condições para trabalhar, os policiais também são atingidos pela falta de reajuste salarial. “De 2002 para cá, a Polícia Federal teve o menor índice de reajuste salarial. Teve 78% (de reajuste) ao passo que outras instituições tiveram 400% (de aumento). Somos o grupo que tem o menor salário dentro do executivo." Atualmente, o salário inicial de um agente é aproximadamente R$7,5 mil.

No próximo dia 24, a Fenapef fará uma assembleia geral para decidir quais serão os próximos passos do movimento. Segundo Wink, a categoria pode decidir, ainda, se começará uma greve. “Vamos nos reunir e ver o que vamos fazer. Uma greve não está descartada."

*Informação atualizada às 16h40

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