Funai aprova estudos para reconhecimento de novas terras indígenas

Foram identificadas terras em Mato Grosso, Tocantins e São Paulo; despacho foi publicado nesta quinta-feira

Agência Brasil |

O presidente da Fundação Nacional do Índio (Funai), Márcio Meira, aprovou os estudos de identificação das terras indígenas Tenondé Porã (SP), Menku (MT) e Taego Ãwa (TO). Os envolvidos no processo que quiserem contestar a demarcação poderão encaminhar documento à Funai. Passado esse processo, será publicada a portaria declaratória, dando o direito de posse definitiva aos índios.

O despacho foi publicado nesta quinta-feira (19) no Diário Oficial da União. Os estudos de identificação e reconhecimento das terras foram executados por grupos de trabalho formados por técnicos, antropólogos e órgãos fundiários dos estados envolvidos.

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As terras de Tenondé Porã são tradicionalmente ocupadas por índios da etnia Guarani nos municípios de São Paulo, São Bernardo do Campo, São Vicente e Mongaguá, no estado de São Paulo. O xamanismo (conjunto de manifestações, ritos e práticas presentes em comunidades) é prática fundamental em todo o universo social e cultural dos Guarani de Tenondé Porã. De acordo com levantamento, foram identificados 149 ocupantes não indígenas no grupo.

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A Terra Indígena Taego Ãwa é ocupada tradicionalmente pelos Avá-Canoeiro. Fica à margem direita do Rio Javaés, importante afluente do Araguaia que forma a Ilha do Bananal. Os Avá-Canoeiro, que falam uma língua tupi-guarani e se autodenominam ãwa (gente, ser humano), moravam nas cabeceiras do Rio Tocantins quando foram encontrados pelos primeiros colonizadores do Brasil Central, na segunda metade do século18.

Ficaram conhecidos na literatura histórica e na memória oral dos antigos goianos como o povo que mais resistiu ao colonizador, recusando-se terminantemente a estabelecer contato pacífico. Mas a perseguição incessante e o extermínio levaram à dispersão e fragmentação do grupo, reduzido hoje a 25 pessoas, segundo a Funai.

A Terra Indígena Menku fica no município de Brasnorte (MT). É habitada pelo povo Myky, composto de 104 pessoas, segundo dados de 2008 da Funai. O povo Myky (Mùnkù, Münkü, Menkü, Myky) fala uma língua classificada como isolada e apenas a geração nascida após o contato (1971) domina relativamente o português. Os Myky são um povo amazônico de terra firme, que ocupam historicamente as cabeceiras dos rios Papagaio, Rico, Águas Claras, Tenente Noronha e Norato.

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