Mais de 400 presos participam de rebelião em presídio de Aracaju

Detentos mantém pelo menos cem reféns, entre familiares e agentes penitenciários, há mais de 24h. Rebelados pedem mudança do comando do presídio

iG São Paulo |

Cerca de 470 detentos participam de uma rebelião no Complexo Penitenciário Advogado Jacinto Filho (Compajaf), na zona sul de Aracaju, em Sergipe. O tumulto, que foi iniciado por volta das 14h de domingo (15), continua nesta manhã. Segundo informações da Secretaria de Segurança Pública (SSP), até as 13h15, os presos mantinham pelo menos cem reféns, entre eles familiares e dois agentes penitenciários.

São Paulo: Adolescentes liberam reféns em unidade da Fundação Casa

Futura Press
Presos que participam da rebelião ocupam as coberturas dos pavilhões, na zona sul de Aracaju

A assessoria da secretaria informou que outros reféns já foram liberados. Porém, devido a dificuldade de comunicação na região do complexo, não sabia precisar o número atual de reféns. Entre os familiares mantidos dentro da penitenciária, estão crianças e mulheres. Por volta das 10h20, foi informada a liberação de um agente prisional e 27 familiares. Não houve corte de energia e água como foi informado anteriormente.

A rebelião aconteceu durante o dia de visita, por volta das 14h do domingo, em um dos pavilhões da unidade prisional. Mais de 150 policiais civis, militares e agentes penitenciários foram mobilizados e enviados ao local. Durante algumas horas, segundo a SSP, os internos se utilizaram de materiais metálicos e madeira para destruir parte das instalações internas do presídio.

Jorge Henrique/Futura Press
Movimentação é intensa na região. Familiares, policiais e imprensa acompanham as negociações

Depois de terem tomado basicamente todas as áreas internas do Compajaf, os presos informaram suas principais exigências, que foram entregues ao capitão da Policia Militar, Marcos Carvalho, especializado em gerenciamento de crises e lidera as negociações. Segundo a PM, os presos pedem melhores condições de tratamento no complexo e fim das "sessões de tortura". 

Os rebelados estão dentro dos pavilhões e em parte da laje do presídio. Eles estão armandos com duas escopetas, munições e armas brancas. Muitos estão encapuzados e gritam a todo instante pelas mudanças. Os manifestantes exigem agilidade nos processos e nas audiências por parte do Poder Judiciário de Sergipe, mudança do comando do presídio e anulação do contrato com a empresa responsável pela gerência da unidade prisional.

A Secretaria de Estado da Justiça (Sejuc), responsável pelo sistema penitenciário de Sergipe, afirmou estar colaborando e encaminhando as exigências dos custodiados rebelados. A secretaria acredita que as negociações estão "caminhando para um entendimento".

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