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20:19
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Sheila Machado, iG Brasília
"Por maior que seja o buraco em que você se encontra, sorria, porque, por enquanto, ainda não há terra em cima". A frase, típica de parachoque de caminhão, não foi lida na estrada. Apareceu, logo abaixo da informação "líquido a receber", no comprovante de pagamento de setembro de funcionários prestadores de serviços a Furnas Centrais Elétricas, contratados pela empresa de engenharia Enesa. Detalhe: a frase seguiu até mesmo para os empregados que estavam sendo demitidos, junto à carta de aviso prévio.
A Enesa diz estar apurando o que aconteceu. "Ainda não conseguimos localizar o autor da frase”, diz Vitor Eduardo Mororó, supervisor de Recursos Humanos da Enesa. “Acreditamos que tenha sido obra de algum hacker que invadiu o sistema interno da empresa. Em setembro tivemos a visita de um analista de sistema da Totvs que mexeu no banco de dados. Não há certeza, mas pode ter sido ele".
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| Contracheque do funcionário. Abaixo, o detalhe da frase |
Procurada pela reportagem, a assessoria de comunicação da Totvs informou que a empresa não recebeu qualquer comunicado da Enesa relatando a suspeita de violação do banco de dados e que, portanto, não se pronunciaria a respeito.
Mororó conta que chegaram ao departamento de RH da Enesa telefonemas de funcionários reclamando da frase impressa no contracheque, não só de prestadores de serviços de Furnas. "Quando fomos verificar o sistema, vimos que a inscrição estava fixa no banco de dados. Não conseguíamos apagá-la. Tivemos de gerar outro documento para imprimir os comprovantes de pagamento de outubro, sem a frase", diz.
Mesmo que a Enesa tenha sido alvo de uma invasão de sistema, os funcionários que tiverem se sentido lesados podem acionar a Justiça por dano moral individual e coletivo, sustenta Grijaldo Coutinho, juiz do Trabalho e ex-presidente da Associação Nacional dos Magistrados da Justiça do Trabalho (Anamatra).
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| Frase abaixo dos vencimentos do funcionário |
"A empresa tem de provar que foi atacada”, afirma Coutinho. “O juiz do trabalho ainda deve avaliar se ela não foi relapsa, se deixou seu sistema desprotegido a ponto de ter um documento importante alterado dessa maneira."
Depois de descoberto o erro, a Enesa, segundo Coutinho, deveria ter pedido desculpas com a máxima urgência a seus funcionários. "Uma frase dessas representa uma relação de trabalho que não podemos tolerar, a de que o empregado é submisso e tem que aguentar todo tipo de pressão", diz ele.
O IG obteve cópia do contracheque de um técnico de informática demitido que continha a frase.
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