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09/09 -
07:00
, atualizada às 09:23 09/09 -
Sarah Barros, repórter em Brasília
BRASÍLIA - O Supremo Tribunal Federal (STF) julga nesta quarta-feira o pedido de extradição de Cesare Battisti, solicitado pela Itália. Battisti é acusado de quatro assassinatos em seu país, praticados entre 1977 e 1979, período em que fez parte de organização de esquerda chamada Proletários Armados para o Comunismo. Ele foi condenado à prisão perpétua na Itália. O julgamento estava previsto para começar às 9h, mas está atrasado.
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Battisti preso no Brasil em 2007 |
A Suprema Corte deve avaliar se a Lei 9.474/97, que trata sobre o refúgio político, pode ser aplicada a Battisti. Em caso afirmativo, o pedido de extradição deverá ser arquivado. No entanto, se a Corte não considerar motivação política para os assassinatos em questão, o pedido do governo italiano será analisado no mérito, podendo culminar na extradição.
A Procuradoria Geral da República opinou pelo arquivamento do processo, sob o argumento de que é tarefa do Executivo conceder ou não o refúgio. Porém, se a Suprema Corte decidir por avaliar o mérito, a PGR opina pela extradição de Battisti.
Em 2007, o STF julgou caso semelhante. O processo envolvia pedido de extradição contra o padre colombiano Olivério Medina, ligado às Farc (Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia), que tinha obtido refúgio do governo brasileiro. Na ocasião, a Suprema Corte julgou pelo arquivamento do pedido de extradição.
Complexidade
O caso é considerado complexo não apenas pela extradição em si, mas também por questões políticas e diplomáticas.
O fato de o presidente Luiz Inácio Lula da Silva ter defendido publicamente a permanência de Battisti no país pode levantar dúvidas sobre a imparcialidade do Supremo, caso os ministros se declarem contrários à extradição.
As relações entre Brasil e Itália também podem ser prejudicadas, caso a Justiça brasileira decida soltar Battisti - contrariando a decisão da Justiça italiana. O governo brasileiro, por sua vez, argumenta que o país tem soberania para lidar com o caso.
Antes de entrar no mérito da extradição, os ministros do Supremo terão ainda de fazer uma espécie de pré-julgamento.
Primeiro, eles vão avaliar se a decisão do Poder Executivo, que concedeu o status de refugiado político a Cesare Battisti, pode ser sobreposta por uma decisão do Supremo.
Se os ministros entenderem que a decisão do Executivo é soberana, a extradição nem será discutida pelos ministros. Ou seja, Battisti fica no Brasil, onde poderá viver em liberdade. O governo italiano poderá até pedir esclarecimentos, mas não caberá recurso que possa mudar a decisão dos ministros.
É possível, no entanto, que o Supremo questione a decisão do Executivo. Nesse caso, o julgamento passa para uma segunda fase: aí sim, os ministros decidem se Battisti deve ou não ser extraditado.
(*com informações da BBC Brasil)
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