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Marina tiraria votos de Dilma, mas não chance de ministra disputar 2º turno

16/08 - 13:40 - Juliana Kirihata, repórter do Último Segundo

SÃO PAULO - A possível candidatura de Marina Silva (PT-AC) à presidência em 2010, caso a senadora decida deixar seu partido atual e entrar no PV, não ameaçaria uma provável ida de Dilma Rousseff ao segundo-turno das eleições, de acordo com cientistas políticos ouvidos pela reportagem do Último Segundo. 

Apesar dos especialistas acreditarem que Marina tiraria votos de Dilma por ter uma forte trajetória política e representar o apelo ambiental, o saldo não seria suficiente para ameaçar a candidata de Lula. “[A candidatura de Marina] não deve ter um impacto muito forte. Seria um desgaste da imagem do PT, mas a Dilma é muito maior que isso. Se ela puder ganhar do Serra, não vai ser a Marina que vai atrapalhar”, avalia o professor Valeriano Costa, da Universidade de Campinas.

Na última quinta-feira, uma pesquisa do Instituto de Pesquisas Sociais, Políticas e Econômicas (Ipespe), encomendada pelo PV, apontou que no confronto direto entre Marina e Dilma, em quatro cenários, a senadora perde em um, empata em outro e ganha em dois. Já a pesquisa Datafolha deste domingo aponta que Marina tem 3% das intenções de voto, contra 16% da ministra da Casa Civil.

AE
Marina Silva é recebida por Mercadante na última quinta-feira

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Influência de Lula

Maria do Socorro Braga, professora de ciências sociais da Universidade Federal de São Carlos, destaca o fato de que Marina seria mais uma candidatura feminina a disputar o espaço com a petista. Porém, é a influência do governo Lula, em sua opinião, que pode determinar a maioria dos votos em 2010. “O seguimento popular está se atrelando mais à gestão do governo de manutenção da estabilidade econômica, isso traz dividendos e lucros maiores ao partido. Costa concorda: “a disputa maior é pelo Brasil pobre. E é esse eleitorado que não está mobilizado pela causa ambiental ou pela causa da mulher”.

Já Roberto Romano, professor do Instituto de Filosofia e Ciências Humanas da Universidade Estadual de Campinas, acredita que será preciso um esforço muito grande para moderar o estilo explosivo de Dilma Rousseff caso a senadora entre na briga pela presidência.

“Atacar um candidato a quem o público se acostumou a certos procedimentos pouco polidos é uma coisa. Atacar uma concorrente com o perfil de Marina será desastroso. Mas a entrada da senadora na corrida traz um alento de pluralidade democrática à eleição”, afirma. 

Mudança

O PT já dá como certa a decisão de Marina Silva de deixar o partido para entrar no PV e concorrer à sucessão do presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Após reunião com a senadora, o presidente do PT, Ricardo Berzoini, disse que não acredita que ela mude por causa da possibilidade de candidatar-se à presidência. “Se ficar, é porque pensou bem e decidiu assim; se sair, é porque efetivamente sairia”, declarou.

O conflito da senadora com o partido, segundo David Fleischer, professor de ciência política da Universidade de Brasília e integrante do conselho diretor da Transparência Brasil, vem desde sua época de atuação no Ministério do Meio Ambiente. “A senadora está muito descontente com o PT e com o presidente Lula. Ela quer um palanque para expor as suas ideias sobre a proteção do meio ambiente contra os ‘projetos desenvolvimentistas’. Ela ficou muito infeliz com as decisões contrárias do governo quando era ministra, e viu que perdia cada vez mais poder e influência na área ambiental”.

A senadora deixou o posto de ministra, que ocupou entre 2003 e 2008, após pressões pela liberação de licenças ambientais para obras do governo e disputas em torno do comando de projeto da Amazônia. 

O mote ambiental em uma campanha atrairia, de acordo com Fleischer, votos da classe média e da classe média alta – que têm maior compreensão sobre as más consequências de uma política ambiental errada.

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AE
No segundo mandato no Senado, Marina Silva conserva uma imagem de credibilidade e, mesmo com a notícia de sua possível candidatura, mantém-se discreta em suas declarações sobre eventual troca de sigla. "Eu não quero prolongar esse processo em respeito ao partido ao qual eu pertenço, ao PV e a mim”, afirmou recentemente.

Em entrevista exclusiva ao jornalista Ricardo Kotscho, Marina afirmou que, neste momento, vive "a elaboração de toda a exposição a que me submeti nos últimos dias, ouvindo todas as pessoas, que não foram poucas, para que seja uma decisão consciente da minha parte".

Em seu blog, Balaio do Kotscho, o colunista do iG afirma que "apesar dos poréns e no entantos, saí de lá convencido de que ela já foi picada pela mosca azul do PV. Posso estar enganado, claro, mas para mim agora é só uma questão de dias, não muitos, para que ela tome a grande decisão da sua vida. O calendário eleitoral fixa um prazo: 30 de setembro, a data limite para a mudança de partido".

Projeção nacional 

O lançamento de uma campanha pela presidência daria à senadora maior projeção nacional. Para o partido no qual milita há 30 anos, sua saída seria uma forte perda, segundo analistas. Porém, mesmo para Marina a decisão pode ser arriscada. “Provavelmente se ela mudar para o PV é um salto no escuro, porque a imagem dela está ligada muito ao PT e a esse ambientalismo mais radical. O PV é muito heterogêneo”, afirma o professor Valeriano Costa.

Maria do Socorro Braga também vê com olhos desconfiados a possível mudança. “Para uma trajetória política e ascensão [a candidatura] é uma boa, porque vai torná-la muito mais conhecida. Mas tem o problema de sair de um partido que é histórico, que tem uma formação mais consistente em nível nacional”.

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