06/07/2009 -
18:46
, atualizada às 00:56 07/07 -
Severino Motta, repórter em Brasília
BRASÍLIA - O presidente do Senado, José Sarney (PMDB-AP), enviou na noite desta segunda-feira o relatório da comissão de sindicância que investigou os atos secretos para o primeiro-secretario da Casa, Heráclito Fortes (DEM-PI). Nele, os senadores são isentados de qualquer tipo de culpa nos atos secretos que não serão anulados por conta da “exiguidade de prazo”.
A orientação é que processos administrativos contra os ex-diretores Agaciel Maia (Diretoria Geral) e João Carlos Zoghbi (Recursos Humanos), únicos resposabilizados pelo escândalo, sejam instaurados. O envio aconteceu porque o regimento interno do Senado diz que a abertura de tais processos cabem à primeira-secretaria.
Sarney também enviou cópias do relatório final da comissão de sindicância para a Procuradoria-Geral da República (PGR), uma vez que o documento aponta indícios de crimes de improbidade administrativa e prevaricação (deixar de praticar ato de ofício para satisfazer interesse pessoal) contra Zoghbi e Agaciel. Por se tratarem de servidores públicos federais, a PGR é a instituição que pode oferecer denúncia à Justiça contra os funcionários.
| Agência Senado |
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“[O ato secreto] Não se deveu a qualquer tipo de falha técnica, mas [da] determinações expressas para que tal procedimento fosse adotado. (...) Essas determinações foram feitas em sua maioria pelo Gabinete da Diretoria Geral, e em alguns casos, pelo Gabinete da Secretaria de Recursos Humanos”, diz o documento.
A sindicância também pede a instauração de processo administrativo contra cinco servidores ligados à publicação dos boletins administrativos, entre eles Franklim Paes Landim, antigo chefe do serviço de publicação, responsável pela revelação ao jornal “Folha de S. Paulo” de que Agaciel e Zoghbi davam ordens diretas para que determinados atos não fossem publicados.
Os servidores são acusados de inobservar normas legais e regulamentares e de cumprir ordens superiores manifestadamente ilegais. No caso de abertura de processos administrativos, todos, principalmente Agaciel e Zoghbi, podem ser demitidos à bem do serviço público e terem suas aposentadorias cassadas.
Nulidade
Sobre a nulidade dos atos secretos, a comissão de sindicância alega que pela “exiguidade de prazo” não foi possível se avaliar cada um dos documentos, nem “a natureza” e nem “o conteúdo dos mesmos”.
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