06/07/2009 -
18:28
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Agência Estado
A Justiça brasileira foi informada sobre os maus tratos à menor austríaca S., de 4 anos, e ao seu irmão R., de 12 anos, 19 dias antes da morte da menina. No dia 24 de abril, um ofício dos advogados do pai das crianças, o austríaco Sascha Zanger, informou à 27ª Vara Federal do Rio de Janeiro que as crianças estavam abaixo do peso e estressadas em razão do suposto desajuste emocional da tia de S., Geovana dos Santos e da filha dela Lílian dos Santos. As duas foram indiciadas pela polícia por tortura com resultado morte, mas continuam em liberdade.
"Antes da Páscoa vi minhas crianças desnutridas, com roupas sujas e sapatos furados. Minha filha tinha uma marca roxa na testa. Geovana falou que foi um acidente. Rafael tinha muitos quilos a menos. Minha filha morreu com 14 quilos. Escrevemos outros relatórios à Justiça sobre as condições físicas deles. Acho que o juiz não estava lendo nada, não estava se preocupando. A primeira vez que vi este juiz foi no dia da morte da minha filha. Meu grande erro foi confiar na Justiça brasileira", lamentou Zanger.
| AE |
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Maristela dos Santos (à esq.) deixa a 36ª DP |
Entenda a trajetória da família
Sophie e o irmão de 12 anos moravam com a tia em Santa Cruz, na zona oeste do Rio de Janeiro. As duas crianças, que nasceram na Áustria, vieram para o Brasil há quase dois anos, acompanhados da mãe, Maristela dos Santos. Ela era casada com o representante comercial austríaco Sascha Zanger, que conheceu em 1993, quando ele passava férias no Brasil. Após dois anos de namoro, o austríaco levou-a para Viena.
Em 2006, o casal se separou por problemas no relacionamento. No entanto, em janeiro de 2008, a ex-mulher do representante comercial pegou os dois filhos e veio para o Brasil, sem a autorização de Sascha. Maristela foi morar na casa da irmã, mas estava desaparecida desde março. Com isso, a tia das crianças conseguiu a guarda provisória dos sobrinhos.
O pai de Sophie disse que pagava uma pensão de cerca de 1.500 euros para os filhos, mas que eles viviam em um barraco, em condições insalubres. “Ela [a tia] só estava vendo os euros. Ela não estava vendo as crianças. Ela não queria cuidar das crianças. A única intenção foi só o dinheiro”, avaliou.
Veja o vídeo sobre o caso:
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