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Gripe leva turista a trocar frio argentino por calor do Nordeste

04/07/2009 - 21:03 - Redação com Reuters

SÃO PAULO – Em meio à crise financeira mundial e após a recomendação do Ministério da Saúde de não realizar viagens para a Argentina e Chile por conta da “gripe suína” (rebatizada de gripe A H1N1 pela OMS), o turismo brasileiro vê nos pacotes nacionais a principal saída para sustentar o setor.

 

Segundo a presidente do Fórum Nacional dos Secretários e Dirigentes Estaduais de Turismo (Fornatur), Nilde Brum, a procura por pacotes nacionais tem aumentado nos últimos meses. Para ela, porém, os brasileiros não devem temer viajar para países da América do Sul. “Não é para as pessoas se apavorarem, mas só para ter algumas precauções”, afirmou durante o 4º Salão de Turismo, em São Paulo.

Divulgação
Sul do País é um dos destinos mais procurados nesta época do ano

Operadores presentes no evento relatam uma drástica queda na procura por pacotes, sobretudo para a Argentina - país que registrou até a quarta-feira 1.587 casos da doença, com 43 mortes confirmadas. Os primeiros casos da doença foram diagnosticados no México e Estados Unidos, países mais afetados pela gripe, que acabou se disseminando pelo mundo.

De acordo com a assessoria da Associação Brasileira das Agências de Viagens (Abav), “a recomendação causou impacto para o setor e já há cancelamentos e adiamentos”. Nas últimas semanas, o presidente da entidade, Carlos Ferreira, emitiu dois documentos se posicionando contrário à recomendação do Ministério da Saúde, e, segundo ele, “à maneira intempestiva como foi feita”.

O primeiro documento foi enviado a Brasília, na quinta-feira da semana passada, e nele foram expostas as ações da associação sobre a “gripe”. Na sexta-feira, Ferreira enviou ao ministro José Gomes Temporão uma carta pedindo mais esclarecimentos sobre a medida. 

“O pronunciamento de V. Exª acabou por confundir a todos, uma vez que a Organização Mundial de Saúde não restringe viagens entre países desde o início do surto da doença e as autoridades argentinas garantem que implantaram um plano de atenção exaustivo ante a menor suspeita de novos contágios”, diz na carta.

Segundo o presidente da Abav, cerca de 300 mil brasileiros viajam à Argentina nesta temporada de inverno, representando aproximadamente 25% do total de turistas brasileiros que viajam ao exterior nessa época. Desse total, de 40 mil a 50 mil procuram a neve de Bariloche.  "A gente entende que o maior problema (da infecção) é em Buenos Aires, não em Bariloche. Mas como as notícias falam em Argentina, é claro que está afetando toda a temporada de inverno, de neve", afirmou.

Previsões

Segundo o Ministro do Turismo, Luiz Barreto, as perspectivas do setor são boas, apesar da crise financeira. De acordo com ele, a indústria do Turismo representou 2,6% do PIB do País em 2008. “O turismo já é uma grande atividade”, afirmou.

Para o ministro, a queda na procura por pacotes para os países mais afetados pela gripe vai aumentar a busca por alguns destinos dentro do País, como Campos de Jordão e a Serra Gaúcha, vistos como substitutos para quem procura o frio da Argentina. "Eu não gosto de lucrar com a desgraça dos outros, mas isso vai acabar acontecendo", afirmou.

O ministro destacou ainda que a Copa de 2014 vai promover o Brasil no exterior. Uma das ações contra a crise, em sua política, é o estreitamento das relações com os países vizinhos. “Os últimos números da economia apontam que nós vamos ter uma boa temporada em julho. Nós vamos superar as dificuldades, e tenho certeza que teremos um grande final de ano”.

Entenda a "gripe suína":

 

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