02/07/2009 -
12:53
, atualizada às 16:31 02/07 -
Redação com Agência Estado
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva se reúne nesta quinta-feira com líderes do PT e, na sexta-feira, com o presidente do Senado, José Sarney, na tentativa de fazer o senador recuar da decisão de renunciar ao comando da Casa.
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Sarney deixa o Plenário do Senado na quarta-feira |
Sarney (PMDB-AP) emparedou o PT na quarta-feira e tornou o Palácio do Planalto sócio de sua crise. Diante da sugestão de afastamento do comando da Casa, apresentada por senadores petistas, o presidente do Senado ameaçou renunciar ao cargo, fato que desencadearia um processo sucessório fratricida e abalaria a aliança PT-PMDB em 2010.
A manobra de Sarney foi a senha para que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva iniciasse uma operação de “enquadramento” do PT para salvar o aliado. Horas depois de decidir engrossar o coro pelo afastamento de Sarney - alvo de uma série de denúncias, entre elas, o chamado ato secreto, o PT voltou atrás.
Às 22h15 de quarta-feira, ao deixar a casa de Sarney, o senador Renan Calheiros (PMDB-AL) selou o tom da resistência à renúncia: “foi importante a decisão do PT (o recuo). O que está em jogo é 2010”.
Bancada dos "arrependidos"
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Mercadante deixa casa de Sarney |
No início da noite de terça-feira, o presidente já havia escalado a ministra Dilma Rousseff (Casa Civil) para falar com Sarney e pedir explicitamente que ele não tomasse nenhuma decisão sobre afastamento do cargo antes da conversa marcada para hoje - Lula participava do encontro da União Africana, na Líbia.
Respaldado pelo PT, Sarney avisou, como novo fôlego, que só decidirá sobre sua permanência ou não no posto depois da conversa reservada com Lula. O horário do encontro com o presidente não foi confirmado. Já a reunião do Lula com o partido, segundo o líder do PT no Senado, Aloizio Mercadante, está marcada para as 20h.
Possíveis sucessores
Mesmo sem uma definição, os candidatos a sua sucessão de Sarney começaram a se movimentar. Um dos nomes mais cotados é o do senador Garibaldi Alves (PMDB-RN), que, há dois anos, assumiu a presidência da Casa após renúncia de Renan Calheiros (PMDB-AL).
Garibaldi foi um dos três senadores do PMDB que defenderam publicamente que Sarney se licencie do cargo. Ao mesmo tempo, mas com pouquíssimas chances, o DEM trabalha para viabilizar o nome de Marco Maciel (DEM-PE) à presidência do Senado.
Com a eventual saída de Sarney, a tendência é que o comando da Casa permaneça nas mãos do PMDB. Terá de haver uma nova eleição para escolha de outro presidente. A avaliação entre os peemedebistas é a de que não há nomes viáveis e de consenso na bancada de 19 senadores em condições de suceder Sarney sem entrar em confronto com o Palácio do Planalto.
| Agência Brasil |
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| O senador Garibaldi Alves |
Agora, mesmo com a eleição de Sarney em fevereiro último, Garibaldi não poderia disputar novamente a cadeira de presidente do Senado porque está na mesma legislatura. “Não tem nenhuma vaga desocupada, não tem porquê se falar nisso”, desconversou Garibaldi sobre sua eventual candidatura à sucessão de Sarney.
DEM de olho na presidência
Sem nomes de peso no PMDB para substituir Sarney, o DEM trabalha para tentar emplacar o senador Marco Maciel (PE). Ex-vice presidente da República, católico praticante e na vida pública há mais de quatro décadas, Maciel é tido como um “magistrado” capaz de administrar os ânimos exaltados do Senado.
Mas apesar das qualidades vistas até mesmo por seus adversários, o nome de Maciel dificilmente tem chances de emplacar porque o PMDB não vai perdoar a “traição” do DEM, que decidiu pedir o afastamento de Sarney da presidência.
Ganhar no "tapetão"
Na quarta-feira, o presidente recorreu a uma metáfora futebolística para voltar a defender a permanência de Sarney. Lula disse que o PSDB quer ganhar a presidência do Senado "no tapetão". "O DEM e PSDB querem que o Sarney se afaste para o Marconi Perillo (senador pelo PSDB-GO e primeiro vice-presidente do Senado) assumir, o que não é nenhuma vantagem para ninguém", afirmou. "A única vantagem é para o Marconi Perillo e para o PSDB, que querem ganhar o Senado no tapetão. Assim não é possível. Isso não faz parte do jogo democrático", destacou o presidente.
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