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Cristovam diz que intervenção de Lula desmoraliza Congresso

02/07/2009 - 15:28 - Severino Motta, repórter em Brasília

BRASÍLIA - O senador Cristovam Buarque (PDT-DF) disse nesta quinta-feira que a intervenção do presidente Lula junto à base governista no sentido de dar apoio à manutenção do presidente da Casa, José Sarney (PMDB-AP), desmoraliza o Congresso. De acordo com ele, a Casa precisa “dar um grito de independência” ou vai virar uma subsidiária do Executivo.


“Queria alertar que o mais grave de tudo é a desmoralização do Congresso (...) Antes de [Sarney] pedir a licença, se ele não quer e tem direito de não querer, ele que por favor, defenda essa Casa, que se comporte como presidente desta Casa, e não deixe que o presidente da República nos trate como um ministério que pode ser nomeado ou demitido por telefone”, disse.

Cristovam voltou a defender o afastamento temporário de Sarney enquanto durarem as investigações. Segundo ele, caso o peemedebista fique no cargo os resultados seriam descredibilizados pela opinião pública.

Debate acalorado

Quando Cristovam falou do afastamento de Sarney, o senador Heráclito Fortes (DEM-PI), primeiro-secretário da Casa, se irritou com o pedetista. Ele disse que o parlamentar quer “posar de ético” e jogar a culpa da crise no colo de poucos. O Democrata lembrou que quando Cristovam apresentou propostas para a moralização da Casa fez junto com o chamado "grupo dos éticos".

“Vossa Excelência está próxima de ir ao céu, mas não subestime seus companheiros pecadores que estão tomando atitudes para combater a crise”, disse ele, se referindo à Mesa Diretora da Casa.

Heráclito foi além e disse : “Todos participamos de todos os erros.
Querer jogar só numa pessoa a culpa não é correto. A culpa é do colegiado, se todos erraram a culpa é de todos, pois quem não era do colegiado (Mesa) foi omisso. Não vamos querer ser mais certos, ou menos certos”.

Ao ouvir o desabafo, Cristovam disse que quando enviou propostas para a moralização do Senado através do chamado “grupo dos éticos” não se sentiu confortável com tal denominação. Disse que, para ele, era “um grupo de preocupados”.

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