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Enfermeira diz que menina austríaca foi torturada

25/06/2009 - 09:56 - Redação com Agência Estado

RIO DE JANEIRO - Uma enfermeira da Unidade de Pronto Atendimento (UPA) de Santa Cruz, onde a menina austríaca Sophie Zanger, de 4 anos, recebeu os primeiros cuidados médicos, relatou à polícia que o quadro da criança era compatível ao de quem sofria constantes agressões. A menina tinha o rosto desfigurado, trauma encefálico, fratura no pulso esquerdo e hematomas novos e antigos.

 

AE

Maristela dos Santos (à esq.) deixa a 36ª DP

O delegado Agnaldo Ribeiro da Silva deve pedir nesta quinta-feira a prisão preventiva da tia Geovana dos Santos, de 42 anos, que tinha a guarda provisória da criança, e da filha dela, Lílian dos Santos, de 21 anos, que a levou para a UPA, após supostamente a menina levar um tombo no banho.

As duas devem ser acusadas por crime de tortura. Elas negam ter agredido a criança. Sophie morreu no dia 19. A enfermeira Deise Bastos, de 44 anos, disse em seu depoimento à polícia que “não foi fatalidade. Foi crueldade. Aquela criança foi torturada”. A criança estava desidratada, desnutrida e chegou em coma nível 3 na escala Glasgow, que vai até 6. A vítima não tinha abertura ocular, resposta verbal ou motora. “Não acredito que um tombo provoque uma lesão com afundamento de crânio”, ressaltou.

Deise contou à polícia que Sophie chegou à UPA molhada e vestida com uma calça rosa e uma blusa, por volta das 17h30 do dia 12. “Quando notei as manchas roxas nos braços, tirei a roupa da menina e toda a equipe médica ficou chocada. Entendi que a vestiram para esconder os hematomas”, disse.

Ao ver o estado da menina, a médica de plantão pediu que os seguranças chamassem a polícia e o Conselho Tutelar. Nesse momento, Lílian fugiu da UPA. Sophie foi entubada e a equipe começou a preparar sua transferência. Lílian retornou à UPA com a mãe, o pai e o primo R., de 12 anos, irmão de Sophie. “Os adultos aparentavam indiferença, mesmo após ver o corpo”, disse a enfermeira.

A Secretaria Nacional de Justiça formou uma comissão para acompanhar o caso. Nesta quarta, chegaram ao Rio três representantes para acelerar os procedimentos burocráticos para a liberação do corpo de Sophie e a passagem da guarda de R. para o pai austríaco Sasha Zanger.

Entenda a trajetória da família

Sophie e o irmão de 12 anos moravam com a tia em Santa Cruz, na zona oeste do Rio de Janeiro. As duas crianças, que nasceram na Áustria, vieram para o Brasil há quase dois anos, acompanhados da mãe, Maristela dos Santos. Ela era casada com o representante comercial austríaco Sascha Zanger, que conheceu em 1993, quando ele passava férias no Brasil. Após dois anos de namoro, o austríaco levou-a para Viena.
 
Em 2006, o casal se separou por problemas no relacionamento. No entanto, em janeiro de 2008, a ex-mulher do representante comercial pegou os dois filhos e veio para o Brasil, sem a autorização de Sascha. Maristela foi morar na casa da irmã, mas estava desaparecida desde março. Com isso, a tia das crianças conseguiu a guarda provisória dos sobrinhos.

O pai de Sophie disse que pagava uma pensão de cerca de 1.500 euros para os filhos, mas que eles viviam em um barraco, em condições insalubres. “Ela [a tia] só estava vendo os euros. Ela não estava vendo as crianças. Ela não queria cuidar das crianças. A única intenção foi só o dinheiro”,  avaliou.

(Com informações do jornal "O Estado de S. Paulo" e Bandnews)

 Veja o vídeo sobre o caso:

 

Leia mais sobre: violência contra crianças

 





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