22/06/2009 -
18:58
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Severino Motta, repórter em Brasília
BRASÍLIA - O presidente do Senado, José Sarney (PMDB-AP), disse nesta segunda-feira que nomeou o ex-diretor-geral da Casa, Agaciel Maia, pois teria recebido, há 14 anos, um abaixo-assinado de seus pares. Tal discurso, dividindo responsabilidades, foi semelhante ao feito pelo peemedebista na semana passada, quando disse que a crise não era sua, mas do Senado.
"[Na presidência] Recebi abaixo-assinado de quase todos os senadores da Casa pedindo que nomeasse Agaciel como diretor, que era diretor da gráfica. Eu conhecia muito pouco o Dr. Agaciel Maia. Fui presidente somente por dois anos, depois fui sucedido por vários outros presidentes que o mantiveram”, alegou.
A explicação foi dada após enxurrada de críticas aos atos secretos da Casa, supostas tentativas de chantagem feitas por Agaciel e acusações de que Sarney teria de assumir a responsabilidade pelo diretor-geral.
“Vossa Excelência foi quem descobriu Agaciel quando foi presidente.
Quando voltou à presidência colocou [Agaciel na direção geral] outra vez, e na terceira que foi presidente colocou de novo. Na primeira foi na base da confiança, mas na segunda e terceira foi porque ele foi bom e depois porque foi muito bom”, criticou o senador Pedro Simon
(PMDB-RS) pouco antes da fala de Sarney.
Em seu quarto discurso para tentar melhorar a imagem do Senado, Sarney disse que tão cedo os escândalos iam sendo descobertos, ações eram tomadas. Ele destacou o afastamento de Agaciel e do ex-diretor de Recursos Humanos João Carlos Zoghbi. Este, inclusive, responde a processo na Justiça por suposta participação em empresas que intermediavam crédito consignado no Senado.
| Agência Senado |
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| Sarney discursa nesta segunda-feira no Senado |
Ao comentar as denúncias, Sarney se mostrou insatisfeito com os desafios que a presidência do Senado lhe impôs. Segundo ele, não era sabido que seu mandato seria usado para investigar a administração da Casa.
“Julguei ser eleito presidente para usar e presidir politicamente a Casa e não para procurar a dispensa ou limpar o lixo das cozinhas da Casa”.
O presidente disse ainda que jamais imaginou que atos secretos existissem na Casa. Negou também que sua filha, a governadora do Maranhão, Roseana Sarney, teria um mordomo pago com o dinheiro do Senado.
Por fim ele pediu calma e a confiança dos senadores para o enfrentamento da crise. “Quero dizer à Casa que fique tranquila pois ninguém vai acobertar ninguém e vamos punir os responsáveis”.
Cristovam pede licença para Sarney
Logo após ouvir o discurso do presidente Sarney, o senador Cristovam Buarque (PDT-DEM) sugeriu que ele se licenciasse por dois meses e deixasse que o vice-presidente, Marconi Perillo (PSDB-GO), assumisse a direção da Casa para o enfrentamento da crise.
De acordo com Cristovam, o tempo que Sarney leva para agir não é satisfatório para a opinião pública e ele poderia contribuir de maneira melhor com sua experiência no plenário e não na presidência da Casa.
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