02/06/2009 -
12:27
, atualizada às 15:11 02/06 -
Redação com agências
Na tarde desta terça-feira, a Força Aérea Brasileira (FAB) informou que está utilizando 10 aeronaves e cerca de 100 pessoas, além de helicópteros, cinco navios e ajudas internacionais na busca pelo Airbus 330 que efetuava o voo AF 447.
O processo de busca do voo AFR 447 está sendo conduzido pelo Salvaero Recife, a partir do Cindacta 3, órgão subordinado ao Departamento de Controle do Espaço Aéreo (Decea), responsável pela coordenação das buscas da aeronave desaparecida.
O comandante Ronaldo Jenkins, do Sindicato Nacional das Empresas Aeroviárias, explica por que as buscas são demoradas e complicadas. "Inicialmente, você trata uma área de probabilidade e divide pelos meios disponíveis. Ela pode ser feita indo e voltando com navio e avião. Quando encontram os destroços, passam a buscar o navio, com um sonar, que detecta metais no fundo do mar , mas isso pode demorar".
Ronaldo Jenkins lembra do caso do avião da Varig que caiu no mar em janeiro de 1979 e nunca foi encontrado. "Mesmo com a mobilização internacional, não encontraram o avião. É uma situação extremamente difícil. Você está procurando uma agulha no palheiro".
Até o presente momento, estão envolvidos na operação em torno de 100 pessoas. A Marinha do Brasil também auxilia nas buscas.
O Comando da Aeronáutica informa que mantém, no momento, dez aeronaves disponíveis nas ações de busca e resgate, além de uma aeronave francesa (Falcon 50), e uma aeronave americana P-3 à disposição da coordenação do Salvaero.
No padrão de busca utilizado pela Força Aérea Brasileira (FAB), as aeronaves percorrem a mesma rota do voo AFR 447, a partir da posição de reporte da falha técnica.
Buscas
A Aeronáutica confirmou, na manhã desta terça-feira, que localizou vestígios de pequenos destroços de aeronave no oceano Altântico, 650 km a nordeste de Fernando de Noronha, que poderiam ser do avião da Air France.
O avião Hércules (C-130 2474) fez as imagens dos destroços. Às 16h, vai pousar em Natal e, de lá, as imagens serão enviadas para Brasília. O Comando da Aeronáutica afirma que vai divulgar as imagens no final da tarde desta terça-feira, mas ainda não pode confirmar se são do voo AF 447 da AirFrance.
A FAB pediu a um navio mercante francês que estava próximo ao ponto onde foram encontrados destroços que retorne ao local para ajudar nas buscas do Airbus A330, desaparecido desde a madrugada de ontem (1º). A assessoria de imprensa do Comando da Marinha confirmou que o primeiro navio brasileiro deve chegar ao local apenas amanhã (3) pela manhã.
O navio-patrulha Grajaú saiu de Natal, local mais próximo ao ponto onde o material foi localizado – a 650 quilômetros a nordeste de Fernando de Noronha. Essa é a maior embarcação brasileira entre as três que foram deslocadas e viaja a uma velocidade média de 12 nós, cerca de 20 quilômetros por hora. A previsão de chegada dos outros dois navios é na próxima quinta-feira (4).
A Marinha informou ainda que mais duas embarcações – o navio de Serviço da Esquadra Fragata "Bosísio" e o Navio-Tanque "Gastão Mota", – também foram deslocadas hoje (2) do Rio de Janeiro para auxiliar nas buscas pelo avião da companhia aérea Air France.
Três navios mercantes chegaram no final desta manhã ao local aonde foram visualizados destroços.
Além disso, a Marinha coordena ações de buscas junto a possíveis Navios Mercantes que estejam previstos para cruzarem a área estimada do sinistro. Caso se confirme rotas convergentes, esses navios são contactados para atuarem conjuntamente com os navios desta Força.
Ao todo, a Marinha já deslocou cinco navios para a região onde estão os destroços.
Segundo o coronel Jorge Amaral, nesta madrugada, uma aeronave decolou de Fernando de Noronha para a realização de varreduras com utilização de radar. Nessa busca, o avião identificou, por volta da 1h da madrugada, retornos no radar que indicavam materiais metálicos e não metálicos flutuando no oceano.
Por volta das 5h25 desta terça-feira, a aeronave localizou uma poltrona de avião, pequenos pedaços brancos de destroços, uma boia laranja, um tambor e vestígios de óleo e querosene no mar. "Nós não podemos confirmar que os destroços são da aeronave da Air France, porque é necessário retirar alguma peça do oceano para confirmar, via número de série, que a peça é da empresa", disse Amaral.
Além disso, um avião de reconhecimento Bréguet Atlantique, que saiu de uma base em Dakar, já deixou na tarde de domingo a capital senegalesa para participar das buscas, sob a direção do centro de salvamentos senegalês. Um Falcon 50 e um outro Breguet Atlantique partiram da França para Dakar na segunda-feira para reforçar as buscas, indicou o porta-voz do Estado-Maior, o capitão Christophe Prazuck.
Um navio da Marinha Nacional Francesa que patrulha o Golfo da Guiné (ao longo da costa do leste da África) foi enviado para a zona de buscas, mas se encontra a "vários dias de distância", acrescentou o porta-voz.
Também na segunda-feira, o departamento americano de Defesa enviou um avião de vigilância da Força Aérea para auxiliar nas operações de busca. O avião da USAF partiu da base do Comando Sul da Força Aérea em Comalapa, El Salvador.
As aeronaves brasileiras utilizadas são:
As aeronaves de outros países utilizadas são:
Helicópteros:
Navios:

O voo
A aeronave da Air France decolou do Aeroporto do Galeão às 19h30. Às 22h33, o vôo AFR 447 realizou o último contato via rádio com o Centro de Controle de Área Atlântico (Cindacta) a 565 quilômetros de Natal (RN), informando que ingressaria no espaço aéreo de Dakar (Senegal). Às 22h48, quando a aeronave saiu da cobertura do radar do Cindacta III, de Fernando de Noronha, as informações indicavam que a aeronave voava normalmente a 11 quilômetros de altitude e a uma velocidade de 840 quilômetros por hora.
No horário estimado para a posição Tasil (23h20), a aeronave não efetuou o contato de rádio previsto com o Cindacta III.
A Air France informou ao Cindacta III, às 08h30, que a aproximadamente 100 quilômetros da posição Tasil, o vôo AFR 447 enviou uma mensagem para a companhia informando sofrer perda de pressurização e falha no sistema elétrico.Às 02h30, o Salvaero Recife acionou os meios de busca da FAB.
Pane elétrica
A hipótese mais provável para o desaparecimento do radar do Airbus A330 é que o avião tenha sofrido uma pane elétrica, após ser atingido por um raio, afirmou Francois Brousse, diretor de Comunicação da companhia aérea francesa. Porém, segundo especialista, não é comum que acidentes com aviões de grande porte sejam causados por raios. "Eu não sei de nenhum acidente que o avião tenha sido derrubado após ser atingido por um raio", disse Valtécio Alencar, especialista em avião civil.
De acordo com informações da Aeronáutica, o último contato feito pela aeronave com o Centro de Controle de Área Atlântico (Cindacta III) foi às 22h33 de domingo. Nele, o comandante informou que ingressaria no espaço aéreo Dacar-Senegal, às 23h20. De acordo com a companhia, porém, às 23h14, minutos antes do controle aéreo perder o contato com o voo, a aeronave emitiu uma mensagem automática de pane elétrica.
"Já tinha passado por (Fernando de) Noronha às 22h33. Uma hora depois o avião teria que fazer contato por rádio novamente e nesse momento não fez esse contato", disse a assessoria da Força Aérea Brasileira (FAB).
"Em função disso entramos em contato com a Ilha do Sal (Cabo Verde). A aeronave também não fez nenhum tipo de contato com eles e nem apareceu no radar", acrescentou.
Segundo a Air France, a aeronave entrou em operação em abril de 2005 e, desde então, já voou 18.780 horas. O comandante da aeronave tinha 11 mil horas de voo em sua carreira e já havia efetuado 1.700 horas no Airbus A330. Ainda segundo a empresa, um dos co-pilotos tinha 3 mil horas de voo e o outro, 6.600.
AP 
Movimentação de jornalistas no aeroporto Tom Jobim, no Rio de Janeiro
Informações sobre vítimas
A Air France disponibilizou dois pontos de recepção aos parentes dos passageiros, um no salão nobre da Empresa Brasileira de Infraestrutura Aeroportuária (Infraero), no próprio aeroporto, e outro no Hotel Windsor, na Barra da Tijuca. No hotel, mais de 100 quartos ficarão a disposição de parentes que moram em outras localidades.
Durante todo o dia, parentes de passageiros foram ao aeroporto do Rio para ter mais informações. A mãe de uma da passageiras afirmou que ainda estava com esperanças de reencontrar sua filha Adriana Francisco Van Sluijs.
Conforme a nota divulgada pela empresa, os telefones da Air France para atender familiares são: para o Rio de Janeiro: (21) 3212-1806, (21) 3212-1884, (21) 3212-1889, (21) 3212-1894; para todo o Brasil: 0800 881 2020; para a França: 0800 800 812; e para outros países: + 33 1 57 02 10 55. Já a Agência Nacional de Aviação Civil (Anac) tornou disponíveis dois números de telefone exclusivos para que os familiares obtenham informações: (61) 3366-9303 e (61) 3366-9307.
(*com reportagem de Anderson Dezan e Paola Moura e informações da AFP, AP, e Reuters)
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