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Bixiga festeja São Paulo com bolo virtual e festa trash

25/01 - 12:16 - Mauricio Stycer, repórter especial do iG

SÃO PAULO - Esse ano não teve o bolo gigante, que entrou para o calendário das comemorações do aniversário de São Paulo em 1985. No lugar dele, Walter Taverna, presidente da Sociedade de Defesa das Tradições e Progresso do Bixiga (Sodepro), inventou um bolo virtual – uma faixa branca de 455 metros pintada na rua Rui Barbosa, que foi preenchida na manhã deste domingo pela arte de uma dezena de grafiteiros.

 

Walter Taverna parecia feliz com a solução que encontrou para manter viva a comemoração. Como se sabe, o famoso bolo não foi assado esse ano depois que os patrocinadores fugiram, assustados com o preço da festa (em torno de R$ 200 mil) e também das cenas bárbaras, que as tevês sempre exibem, do povo devorando o doce com as mãos.

“Eles vão se arrepender”, dizia Taverna, sobre os que não o apoiaram. “O bolo, agora, pintado pelos artistas, vai ficar aqui o ano inteiro com essa mensagem”. Aos 75 anos, o presidente da Sodepro se diz um “idealista”, cuja maior preocupação é o bairro onde nasceu e viveu. “Nunca saí do Bixiga. Não conheço nada fora daqui”, conta.


"Eles vão se arrepender", diz Walter Taverna / Maurício Stycer

Entre os grafiteiros, Binho, do Tucuruvi, foi um dos que chegou mais cedo. “Acho importante que fique marcado que não houve o bolo esse ano”. Marcelo della Rocha aproveitou a faixa em branco na rua para pintar uma mensagem: “A felicidade? Não está num bolo de festa. E sim na educação”, grafitou. Lucio e Ligia, que assinam A*C (uma referência à técnica de alto contraste que usam), deixaram uma de suas marcas registradas na rua, um simpático urso amarelo.

No palco armado no meio da rua, enquanto os grafiteiros trabalhavam, Sandrinha Sargentelli apresentava artistas do naipe de Rogerinho Moretto, Di Marco e Yasmin Amaral. Era um aquecimento para o concurso Miss Aniversário de São Paulo, que se realizaria em seguida.

Imitadores de personalidades variadas disputavam a atenção do público com os artistas no palco. Gente como Helio Vernier, que encarna o apresentador Chacrinha, e Nicanor Ribeiro, que se apresenta como sósia de Pelé. Dois imitadores de Charles Chaplin, uma Chiquinha e um Kiko (do seriado Chaves), um Silvio Santos com a menina Maísa e um Ronaldinho Gaúcho também tentavam animar a festa.


Imitadores disputavam a atenção do público com os artistas / Maurício Stycer

Na falta de um bolo de 455 metros, apareceu um 100 vezes menor, de 4,55 metros. Obra de Jorge Dú, desempregado, que viu na ocasião uma oportunidade de aparecer um pouquinho. “Se eu pudesse, eu colocava um bolo de 455 metros”, diz Jorge. “Amo São Paulo”. 

Com a ajuda de comerciantes do seu bairro, o Jardim Rodolfo Pirani, na zona leste da cidade, Jorge atraiu a atenção das pessoas que foram à rua Rui Barbosa em busca de um pedaço de bolo. Logo se formou uma fila junto à mesa onde Jorge se instalou. Depois de alguns protestos (“queremos bolo!!!”), sua obra foi cortada – sem nem mesmo um “parabéns pra você!”. Em dez segundos, virou pó.

No palco, Sandrinha Sargentelli lembrava: “O Bixiga é a alma do país, a alma de São Paulo”.

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