A falta de uma substância radioativa utilizada para exames de diagnóstico de câncer e doenças cardíacas têm causado transtornos

A falta do Molibdênio, substância radioativa utilizada como matéria-prima para exames de diagnóstico de câncer e doenças do coração, têm causado muitos transtornos à população. A operadora de máquina copiadora Maria Tereza Fortes da Silva, de 54 anos, procurou o Instituto Nacional de Cardiologia (INC) de Laranjeiras, do SUS, no Rio de Janeiro, no dia 4 de junho. Fiz esteira e acusou problema no miocárdio. Então, o médico pediu esse exame para ter certeza, conta. Com a falta do Molibdênio, a cintilografia foi marcada para o dia 28 de setembro. O exame irá diagnosticar se a operadora realmente tem problemas no músculo do coração responsável pelo fluxo sanguíneo.

Maria Tereza realizou um exame ergométrico, isto é, correu em uma esteira monitorada com eletrocardiograma. Uma vez que houve alteração neste exame, o procedimento correto seria a paciente passar pela cintilografia do miocárdio. Se o líquido (Molibdênio) chegar, chegou. Senão, eles disseram que vão ligar desmarcando, relata. Até o fim de setembro, Maria Tereza não pretende procurar novamente o médico. Para quê vou passar no médico de novo se o exame não está feito?, questiona.

Enquanto aguarda, a paciente corre o risco de ter o quadro agravado, como explica a médica nuclear do Hospital Sírio Libanês Mariana Ruiz. "O atraso de diagnóstico somado aos fatores de risco, como a obesidade, se o paciente é fumante, fatores genéticos, se tem diabetes, entre outros, podem levar o paciente a sofrer um enfarte", esclarece.

"Tenho uma lista enorme de nomes de pacientes que temos de mandar de volta para casa, reclama o médico nuclear Claudio Tinoco Mesquita, do INC. O médico reivindica que o governo informe com mais antecedência as datas da chegada do material no Brasil. Mesquita explica que na medicina nuclear, em que a precisão dos exames depende da qualidade da substância radioativa, ter uma agenda é fundamental. Como o Tecnécio, substância fabricada a partir do Molibdênio utilizada na cintilografia, perde sua radioatividade em poucos dias, os médicos têm de convocar com urgência os pacientes na lista de espera.

Muitas vezes, no entanto, fazer o exame poucos dias após a notificação não é possível. Isso porque há muitos pacientes que vêm do interior dos Estados para as capitais. O médico nucelar Adelanir Antonio Barroso, que atende pelo SUS em Belo Horizonte, relata que muitos de seus pacientes vêm de outras cidades e não têm onde dormir na capital mineira. Eles viajam dois, três dias e, quando chegam aqui, não conseguem fazer o exame, reclama. Barroso, que também é presidente do Conselho Consultivo da Sociedade Brasileira de Biologia, Medicina Nuclear e Imagem Molecular, divulgou há cerca de dois meses uma carta pública intitulada " Crise de abastecimento na medicina nuclear brasileira prejudica o atendimento à população ", alertando sobre o problema no País.

Questionado pelo Último Segundo sobre medidas para minimizar o problema na rede pública, o governo respondeu: O Ministério da Saúde acompanha o assunto juntamente com o Ministério da Ciência e Tecnologia para as devidas providências. A Secretaria de Atenção a Saúde já determinou a realização de estudos que possibilitem a tomada de providências para evitar prejuízos ao Sistema Único de Saúde e principalmente aos usuários.

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