10/12/2008 - 19:25 - Carollina Andrade - Último Segundo/Santafé Idéias
BRASÍLIA - O delegado da Polícia Federal Protógenes Queiroz, que chefiou a Operação Satiagraha, voltou a negar nesta quarta-feira que tenha a intenção de sair candidato a qualquer cargo eletivo nas eleições de 2010. Segundo Protógenes, ele se candidataria a "carcereiro" do dono do grupo Opportunity, o banqueiro Daniel Dantas, investigados por crimes contra o sistema financeiro.
"Eu já disse por diversas vezes que não serei candidato, voltarei para a Polícia Federal. Foi para isso que fiz concurso. Mas estou disposto a ser candidato a carcereiro do bandido banqueiro Daniel Dantas na penitenciária pública federal em que ele for cumprir pena", ressaltou.
Questionado sobre se o fato de ser carcereiro de Dantas lhe daria prazer, Protógenes afirmou que não há nenhum desejo pessoal em ocupar a função. "Como delegado, eu posso ser carcereiro ou até diretor de uma penitenciária, basta eu ser convidado. Portanto, não seria um prazer pessoal, seria o desempenho da minha atribuição como servidor público", completou.
Afastado do caso desde julho, por supostos abusos cometidos ao longo da Operação Satiagraha, o delegado informou ainda que, em janeiro, deverá ter uma posição do setor de Recursos Humanos da Polícia Federal. Isso irá determinar o setor onde ele deverá trabalhar. "Recebi uma decisão unilateral do órgão central da PF que me propôs a realocação para outro setor, mas ainda não recebi um comunicado oficial desta minha transferência", disse o delegado. "Acredito que a partir de janeiro já devo ter sinais desta minha nova lotação. Vou incorporar isto com muita maturidade."
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| Protógenes recebe medalha de Arlindo Chinaglia, presidente da Câmara |
Cronologia da Operação Satiagraha
8 de julho - Autorizada pelo juiz Fausto De Sanctis, a Operação Satiagraha, comandada pelo delegado da Polícia Federal Protógenes Queiroz, prende 17 pessoas, entre elas o banqueiro Daniel Dantas, o ex-prefeito de São Paulo Celso Pitta e o investidor Naji Nahas.
9 de julho - O presidente do Supremo Tribunal Federal, Gilmar Mendes, decide conceder habeas-corpus a Daniel Dantas, sua irmã Verônica Dantas e mais nove pessoas presas na operação.
10 de julho - Daniel Dantas é solto pela manhã. À tarde, um novo pedido de prisão preventiva do banqueiro é aceito e Dantas é levado novamente à carceragem da sede da Polícia Federal em São Paulo.
11 de julho - O ministro Gilmar Mendes concede o segundo habeas-corpus e revoga a prisão preventiva do banqueiro, que é libertado novamente.
14 de julho - Após reportagem do jornal “Folha de S.Paulo” que noticiava a possibilidade de Mendes ter sido “monitorado” pela Polícia Federal a pedido da Justiça, Protógenes se reúne em São Paulo com seus chefes. No encontro, segundo a revista “Veja”, o delegado revelou que a PF tinha um “trabalho de inteligência” que apontou que o habeas-corpus seria concedido por Mendes.
15 de julho – Protógenes deixa o caso.
Agência Brasil

30 de agosto – A Agência Brasileira de Inteligência, a Abin, abre investigação para averiguar se houve participação ilegal de agentes da Abin no suposto grampo ao ministro Gilmar Mendes na operação comandada por Protógenes.
1º de setembro – A divulgação de grampo em Gilmar Mendes provoca o afastamento do diretor-geral da Abin, Paulo Lacerda, ex-dirigente da Polícia Federal.
11 de setembro – Na CPI dos grampos, um diretor da Abin diz que 52 agentes atuaram na Operação Satiagraha.
17 de setembro – O diretor afastado da Abin Paulo Lacerda admite que 56 agentes da Abin agiram na Operação Satiagraha.
5 de novembro – A Polícia Federal investiga supostos vazamentos à imprensa e cumpre mandados de busca e apreensão na casa de Protógenes.
12 de novembro – A CPI dos Grampos aprova as convocações do
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| O juiz federal Fausto De Sanctis |
17 de novembro – A Justiça Federal proíbe a Abin de acompanhar os trabalhos da Polícia Federal. O juiz Fausto Martin De Sanctis afirma que as escutas telefônicas autorizadas pela Justiça não alcançaram o STF. No mesmo dia, o ministro da Justiça, Tarso Genro, solicitaram por meio da Advocacia Geral da União (AGU) que a Abin acompanhe a investigação.
19 de novembro - Dantas é ouvido como réu pelo juiz De Sanctis. A defesa de Dantas tenta adiar o fim do processo. Quer ter acesso a novos documentos da investigação e que Paulo Lacerda e o delegado Protógenes Queiroz fossem ouvidos como testemunhas.
27 de novembro - O diretor-geral da Polícia Federal, Luiz Fernando Corrêa, disse que Protógenes foi afastado da Operação Satiagraha por ser partidário. O PSOL fez diversos atos de desagravo ao policial pelo País.
1º de dezembro - O delegado Protógenes diz que a PF pediu nova prisão de Dantas.
2 de dezembro - Justiça nega acesso de Dantas a inquérito. Fausto De Sanctis decreta prisão do banqueiro.
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