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Sintomas parecidos podem dificultar diagnóstico de doenças em SC

03/12 - 18:26 - Agência Brasil

BRASÍLIA - A proximidade dos sintomas da hepatite A, dengue e leptospirose podem dificultar ainda mais o diagnóstico de doenças das vítimas dos temporais em Santa Catarina. O alerta é do infectologista da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), Edmilson Migovisky, que lembra que por conta das enchentes, aumenta-se o risco de contrair doenças infecciosas.

 

“Todas as vezes em que vejo essas pessoas dentro da água, redobro a minha preocupação. Os sintomas se parecem e fica um pouco confuso o diagnóstico. Febre, mal estar, dor no corpo e icterícia para dengue. No caso da leptospirose, você pode ter um quadro de insuficiência renal. Já a hepatite A é o acometimento do fígado. O tratamento é diferente e, infelizmente, nessas regiões que foram assoladas, não vêm sendo distribuída a vacina para hepatite A.”

Em entrevista ao programa Notícias da Manhã, da Rádio Nacional, ele avaliou que, sobretudo para a população que teve casas alagadas ou destruídas pelas chuvas, o risco de contrair uma doença contagiosa é grande. “Infelizmente, é mais uma preocupação”, disse. O grande problema, segundo Migovisky, é a interrupção do fornecimento de água potável e dos serviços de saneamento básico. “Água contaminada é veículo para muita doença”, afirmou o infectologista.

“Fico desesperado quando vejo [vítimas das enchentes caminhando pela lama]. Não apenas pelo risco de as pessoas cairem em bueiros ou buracos abertos pela chuva como também por conta das doenças. Quanto maior o tempo de exposição à essa água contaminada, maior a probabilidade de contrair bactérias.”

Migovisky destacou a importância de utilizar galochas ou botas longas ao tentar voltar aos locais atingidos por alagamentos, além de ingerir apenas água fervida e alimentos que possam ser bem cozidos.

“A gente não pode bobear. As pessoas têm que se expôr menos à essa água contaminada, sem querer dar uma de herói indo para as casas limpar a lama. Sei que é terrível, mas o mais importante nesse momento é preservar a saúde porque você, com saúde, reconstrói, mas doente, não consegue ir a lugar algum”, avaliou.

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