02/12 - 20:22 - Carolina Garcia, do Último Segundo
SÃO PAULO - O advogado Nélio Machado disse nesta terça-feira que o juiz Fausto De Sanctis não foi isento ao julgar seu cliente, o banqueiro Daniel Dantas, condenado a dez anos de prisão por corrupção ativa. "O juiz é suspeito e sua conduta é tão suspeita quanto a sua posição no caso", afirmou Machado. O advogado afirmou que De Sanctis condenou Dantas movido por vaidade e ideologia. Segundo ele, o processo é nulo.
Machado afirmou já ter entrado com recurso de apelação apoiado na tese de "inexistência de nexo causal", pedindo o reexame integral do processo. O advogado sustenta que não há provas contra Dantas. "A sentença repete temas já discutidos e poderia ser resumida em vinte páginas", disse.
O advogado afirma que a sentença a dez anos de prisão é "completamente despropositada" e que "a pena de Dantas é pior que a de um estuprador e de um homicida".
Nélio Machado afirmou estar muito confiante com o recurso e ressaltou que "se a decisão não mudar, acabou o Estado de Direito Democrático".
Ele finalizou dizendo: "Meu cliente é inocente, uma vítima. Considero Dantas um perseguido político e o defendo como tal".
Em nota divulgada nesta tarde, o advogado disse que o processo julgado por De Sanctis é "absolutamente nulo".
Para Machado, a sentença desconsiderou a defesa, que teve seus pedidos recusados no decorrer do processo. Para ele foram desprezadas as denúncias das supostas práticas ilegais referentes à participação da Agência Brasileira de Inteligência (Abin) na investigação comandada pela Polícia Federal (PF).
O advogado diz que não houve crime atribuído ao seu cliente e que sua defesa foi cerceada, pois, segundo ele, "as provas são fraudadas".
A defesa de Dantas disse que o juiz De Sanctis agiu da forma esperada, pois sua inclinação à condenação de Dantas era "pública e notória".
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