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Enchentes podem causar leptospirose e infecções intestinais

27/11 - 13:11 , atualizada às 20:34 27/11 - Amanda Demetrio - Último Segundo

SANTA CATARINA- Uma das grandes preocupações das autoridades neste momento é com o que virá depois das enchentes que atingiram Santa Catarina nos últimos dias, deixando 99 mortos e 19 desaparecidos. Nesta quarta-feira, o governo anunciou mais de R$ 1 bilhão para as possíveis calamidades, e o ministro da Saúde, José Gomes Temporão, foi ao Estado para acompanhar e fazer um levantamento sobre as “doenças específicas que ocorrem neste período”.

 

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Quem explica o que pode acontecer com a saúde de população é o médico infectologista Fábio Franco, da Universidade de São Paulo (USP). Ele conta que os principais problemas de saúde que as enchentes podem trazer são leptospirose e doenças intestinais.

A leptospirose é transmitida através da urina dos ratos, que são os “portadores da doença”, e causa febre e outros sintomas nos homens.  “Esta é a doença mais 'séria' relacionada às chuvas”, diz Franco. Estatísticas da Secretaria Municipal de Saúde de São Paulo mostram que a leptospirose é mortal entre 5 e 20% dos casos.

Já as doenças intestinais podem ser mais recorrentes após as enchentes, porque elas acontecem quando os homens são submetidos a condições de vida precárias - sem água limpa ou quando o esgoto se mistura com a água potável, por exemplo – e acabam tendo sua água contaminada por bactérias. “O perigo está nos extremos das idades, onde as infecções podem ser graves”, conta o médico. Quem entra em contato com água contaminada deve ficar atento às diarreias, “um dos principais sintomas da doença”, finaliza.

Além da grande quantidade de chuvas, a maneira como as pessoas se defendem das enchentes, em alojamentos como a aglomeração de pessoas, abrem portas para outras bactérias e vírus. Os problemas respiratórios, por exemplo, aumentam nos alojamentos e abrigos de pessoas, quando acontecem estas tragédias.

Quando já doentes, o tratamento pode ser prejudicado em tempos de crise meteorológica. “A distribuição de medicamentos é prejudicada e mesmo os hospitais começam a não ter acesso aos recursos necessários”, explica Franco, que destaca que alguns doentes podem ficar em “condições inapropriadas” nestas situações.

Perguntado sobre como cada um pode trabalhar na prevenção, o médico é pessimista. “Cada um não tem muito combater”, diz, mas salienta o papel do governo: “As autoridades devem restabelecer a normalidade, especialmente no abastecimento de água e no reparo do esgoto”. De resto, o tratamento de quem começa a adoecer é um outro passo para quem comanda, conta o médico.

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