27/11 - 08:17 , atualizada às 10:51 27/11 - Redação com Agência Estado
SANTA CATARINA - Em Itajaí, uma das regiões mais atingidas pelas chuvas em Santa Catarina, filas quilométricas se formaram nesta quarta-feira com a divulgação, precipitada por uma emissora de TV, da distribuição de cestas básicas. Moradores ameaçaram invadir alguns locais, como o Corpo de Bombeiros do bairro de Cordeiros.
A PM e a Polícia Ambiental foram chamadas. “A realidade é que não está chegando comida para todos”, afirmou o major Edson Biluk.
Há 41 mil desabrigados em Itajaí. Comida e água escassas têm sido distribuídas até por barco. Ainda há bairros inundados. Com a onda de saques, os bombeiros têm feito rondas nas ruas alagadas. Boatos espalhados pela internet afirmavam que Itajaí deveria ser evacuada ainda nesta quarta-feira, sob risco de nova e mais catastrófica inundação. A prefeitura teve de avisar às rádios para divulgar que a notícia era infundada. Mas ela já dava medida do ânimo exaltado na região.
Um colégio foi saqueado na manhã desta quarta-feira. Foram levados computadores, impressoras, televisão e outros materiais da Escola Estadual Francisco de Paula Seara. Todas as escolas deverão permanecer fechadas até segunda-feira. Remédios falsificados foram levados pela enchente e apareceram boiando na frente de prédios da orla. As autoridades alertam para o risco de consumir esses medicamentos. Os produtos foram aprendidos e serão incinerados.
O Ministro da Justiça, Tarso Genro, disse que deve confirmar, nas próximas 24 horas, a atuação de homens da Força Nacional no combate aos saques.
Em barcos
Há dois dias, a família de Alcendino Pereira, de 84 anos, dorme preocupada com o medo de saques. À meia-noite, homens de barco começaram a rondar a sua casa, ainda com quase 1 metro debaixo d’água por causa das enchentes em Santa Catarina. Muita coisa foi perdida, mas outro tanto pode ser salvo no andar superior. Os saqueadores sabem disso e estão aproveitando as casas vazias para furtar o que podem.
“Eles começavam a falar qualquer coisa para ver se tem gente na casa”, lembra Ricardo Arno Bitencourt, de 57 anos, genro de Pereira. “A gente respondeu, sem nem abrir a janela. Então eles disseram: ‘Vocês não dormem cedo?’ Eles queriam entrar.” Por toda Itajaí e Navegantes, cidades em que as águas ainda encobrem bairros inteiros e abandonados, moradores estão ilhados para defender seus bens. “Ninguém do resgate veio para cá, só vocês (repórteres)”, diz Pereira.
Para chegar às casas ainda submersas, é preciso ir de barco. Há propriedades aparentemente vazias, mas ao menor sinal de aproximação aparece alguém. Quem pode vai tentando limpar tudo aos poucos e recuperar o que as cheias não estragaram. Na casa de Pereira, guarda-roupas, armários, pia e colchões se perderam. Para o andar de cima foram levados televisores, geladeiras, fogões e até computadores dos vizinhos.
Cidades mais afetadas
Nas cidades de Navegantes e Itajaí, em Santa Catarina, as duas mais afetadas pelas enchentes, casas e comércios locais estão sendo saqueadas durante a noite.
Segundo informações do Corpo de Bombeiros de Itajaí, os furtos são feitos por moradores locais. Com barcos próprios, os saqueadores invadem casas e comércios abandonados pelas chuvas. Aparelhos de televisão, Dvds e rádios são os principais alvos. Nos supermercados, bebidas alcoolicas e cigarros também são levados.
O corpo de bombeiros não tem informação de quantos mercados, fármacias e residencias foram roubadas.
(Com informações do jornal "O Estado de São Paulo")
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