25/11 - 18:38 , atualizada às 15:46 26/11 - Samanta Dias, repórter do Último Segundo
FLORIANÓPOLIS - As fortes chuvas que afetaram o Estado de Santa Catarina foram geradas pelo encontro de duas massas de ar: uma fria vinda do oceano e outra quente formada no continente. Além disso, ventos intensos soprando do mar aumentaram a umidade das nuvens, que já estavam carregadas. Um sistema de baixa pressão também já causava mau tempo e intensificou as chuvas.
Para a meteorologista Patrícia Madeira, da Climatempo, todos esses fatores surgiram coincidentemente no mesmo momento, ocasionando as chuvas que atingem Santa Catarina nos últimos dias. “A tendência das chuvas é diminuir. Hoje já estavam menos intensas, amanhã teremos apenas chuva fraca, mas na quinta o sistema ganha força novamente”, afirmou Patrícia. A meteorologista ainda disse que chuvas intensas como as dos últimos dias não devem se repetir até o final deste ano na região.
Segundo Maria Elisa Siqueira da Silva, professora de climatologia da Universidade de São Paulo (USP), o sistema que causou as chuvas em Santa Catarina ficou estacionado na região, provocando a convergência das precipitações no Estado. Para a professora, a permanência do sistema sobre o Atlântico Sul, sem movimentação, foi o fator de maior agrave para intensidade das chuvas.
O Estado de Santa Catarina tem um relevo elevado, montanhoso, o que pode ter contribuído para o aumento da umidade. “O relevo de maior altitude provoca a ascensão do ar, carregando a umidade para as nuvens”, comenta Maria Elisa. Ela também afirma que regiões de encosta são “naturalmente desprivilegiadas com chuva forte”, já que o solo encharca e tende a ceder.
“As pessoas e os órgãos de planejamento dão pouca importância para as pessoas que estão nas encostas, não há planejamentos para a ocupação dessas áreas”, diz a professora.
Ela também lembra que os vales são um tipo de relevo que favorece alagamentos. “A região de vale é mais propensa aos alagamentos se não houver um plano de escoamento de água. Nas cidades localizadas nessas regiões, é interessante que a sociedade, os políticos, se organizem para melhorar o planejamento sobre escoamento das águas”, aconselha. Além disso, Maria Elisa lembra que a pavimentação das ruas das cidades impede a penetração da água nos solo, o que já contribui para as enchentes.
A professora ressalta, no entanto, que o relevo não justifica, sozinho, as chuvas intensas que tem provocado estragos em Santa Catarina. De acordo com a Climatempo, Florianópolis registrou 550 milímetros de chuva, quando a média para este período do ano é de 130. Em Indaial, no Vale do Itajaí, foram 520 milímetros, a média é de 120.
Entre as 10h da manhã do domingo (23) e as 10h da segunda (24) foram registrados 105 milímetros na cidade de Indaial. “Um volume de chuvas muito grande, para um curto período de tempo”, afirmou a meteorologista Patrícia Madeira.
A partir desta terça-feira, especialistas do Instituto de Pesquisas Tecnológicas (IPT) da USP começam a realizar estudos e avaliações nos solos do Estado, principalmente no Vale do Itajaí.
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