20/11 - 08:41 , atualizada às 08:58 20/11 - Agência Estado
A íntegra da gravação da reunião de três horas, no dia 14 de julho, em São Paulo, entre os responsáveis pela Operação Satiagraha revela que o delegado Protógenes Queiroz foi pego em flagrante contradição e é visto pelo comando da Polícia Federal como principal “suspeito” pelo vazamento de informações da investigação.
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| Após sessão, Dantas deixa o Fórum nesta quarta-feira |
“Queiroz, vou te falar com bastante franqueza: no vazamento, você está como suspeito de vazar para a Rede Globo”, disse, ao final da reunião, o delegado Roberto Troncon, chefe da Diretoria de Combate ao Crime Organizado (Dcor).
Protógenes não conseguiu explicar a razão de a imprensa só aparecer nos locais da prisão do ex-prefeito Celso Pitta e do investidor Naji Nahas, justamente as duas únicas prisões que ele fez questão de anunciar na reunião do planejamento operacional, com duas centenas de policiais, na madrugada do dia 8 de julho, quando os mandados de busca e apreensão e de prisão foram executados. Troncon lembrou que o delegado já tem outro precedente em uma operação sob seu comando - a prisão do ex-prefeito Paulo Maluf, em setembro de 2005, filmada pela mesma emissora.
Troncon perguntou explicitamente a razão pela qual Protógenes escondeu todas as informações dos superiores e por que não quis aparecer na Superintendência para o planejamento operacional, dizendo que sua presença em São Paulo não poderia ser detectada. Apontou também contradição no fato de o delegado revelar os nomes de Pitta e Nahas para a platéia de policiais após ter dito que se tratava de uma “operação de inteligência, e não de investigação”, justificando com isso o sigilo total dos detalhes. O delegado não foi localizado pela reportagem para comentar as suspeitas da PF.
A Operação Satiagraha investigou indícios de lavagem de dinheiro e outros crimes, como evasão de divisas e formação de quadrilha, além da tentativa de suborno de um delegado da PF. Com autorização judicial, a Satiagraha prendeu 17 pessoas, entre elas Daniel Dantas, sócio-fundador do Grupo Opportunity. Dois habeas-corpus concedidos pelo Supremo Tribunal Federal (STF) mantêm Dantas em liberdade.
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