13/11 - 17:04 , atualizada às 22:20 13/11 - Filipe Ferrato
SÃO PAULO - Os delegados e investigadores da Polícia Civil de São Paulo, em greve desde o dia 16 de setembro, aos poucos retomam a sua rotina de trabalho. Desde a manhã desta quinta-feira, alguns distritos policiais da capital voltaram a registrar ocorrências e investigar crimes. Mesmo com a volta das atividades, a categoria informa que continuará protestando pela melhora dos salários e da carreira de policial civil.
A movimentação nas principais delegacias da capital paulista foi tranquila na tarde desta quinta-feira e a população voltou a ser atendida normalmente pelos delegados e escrivães. Já os investigadores devem voltar ao trabalho à partir desta sexta-feira (14).
A iniciativa de suspender a greve partiu dos sindicatos, antes mesmo da publicação, no Diário Oficial da Justiça, da decisão tomada na noite da última quarta-feira pelo ministro Eros Grau, do Supremo Tribunal Federal (STF). Grau determinou que a categoria retornasse imediatamente ao trabalho.
A paralisação anunciada para a manhã de segunda-feira (17), que prevê o fechamento das portas de distritos policiais em 22 estados, incluindo o Distrito Federal, não deve contar com a adesão de delegados, mas os representantes dos investigadores prometem dar fim aos protestos somente após a publicação da decisão do STF.
Boletins atrasados
No 14o DP de Pinheiros, apesar do mural carregado de avisos e editais em favor da greve, o movimento foi tranquilo e as ocorrências eram registradas sem fila de espera. No 78o DP, o trabalho de escrivães e policiais continuava sem complicações durante toda a tarde desta quinta-feira.
Segundo o presidente do Sindicato dos Delegados da Polícia Civil de São Paulo, José Leal, a decisão de suspender a greve e o protesto da próxima semana foi tomada depois do acordo de reajuste imediato de 6,5% aprovado pela Assembléia Legislativa na noite de ontem. Leal destacou, no entanto, que o governador de São Paulo, José Serra, ainda terá de discutir com a categoria algumas medidas que ficaram pendentes no acordo, como o adiantamento de novembro para agosto de 2009 de outra parcela do novo percentual (6,5%), entre outros benefícios.
O presidente do Sindpesp disse, ainda, que a greve foi suspensa porque os grevistas resolveram acatar à decisão do STF e garantiu que a volta ao trabalho deve acontecer gradualmente em todas as delegacias do estado que atuavam em regime especial. "Mesmo que [a decisão do STF] não tenha sido publicada ainda, nós decidimos interromper a greve e cancelar essa paralisação que estava marcada para a próxima semana", reforçou.
Divergências
Já o Sindicato dos Investigadores de Polícia Civil do Estado de São Paulo negou, por meio de nota, que a paralisação nacional das atividades, na próxima segunda-feira, tenha sido cancelada e reafirmou que as delegacias de 22 estados serão fechadas das 8h ao meio-dia "em sinal de repúdio pelos excessos cometidos contra os policiais civis de São Paulo".
O protesto deve contar também com a incineração de um caixão com a sigla do PSDB, partido do governador José Serra, em local a ser definido. A nota foi assinada pelas federações interestaduais dos policiais civis das regiões Centro-Oeste e Norte, além da Nordeste, Sul e Sudeste.
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