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CPI dos Grampos não tem elementos para indiciar Protógenes, diz relator

10/11 - 16:23 , atualizada às 20:08 10/11 - Severino Motta - Último Segundo/Santafé Idéias

BRASÍLIA - O relator da CPI dos Grampos, deputado Nelson Pellegrino (PT-BA), disse nesta segunda-feira que não existem elementos para pedir o indiciamento do delegado Prótogenes Queiroz. Ele é investigado pela Polícia Federal (PF), corporação da qual faz parte há 10 anos, e deve ser indiciado pelos crimes de quebra de sigilo funcional e interceptação telefônica sem autorização judicial, durante a operação Satiagraha.

"Nós não vamos indiciar ninguém sem haver provas concretas. A CPI não tem acesso ao inquérito da PF contra o delegado. Não temos nem o inquérito da Satiagraha e nem sobre as investigações contra a Kroll", disse Pellegrino.

Como tais inquéritos foram barrados pelo Supremo, Pellegrino ponderou que vai ser "muito difícil" haver uma revisão na decisão, o que vai deixar a CPI com poucos elementos para indiciar outras figuras, como o sócio do Opportunity Daniel Dantas, que foi investigado junto com a empresa de consultoria Kroll. Eles são acusados pela PF de realizar grampos durante uma disputa empresarial.

Roteiro

Pellegrino pretende concluir em dezembro a fase de oitivas na CPI dos Grampos. Em sua avaliação vai ser necessário o pedido de prorrogação dos trabalhos por mais 90 dias, uma vez que o prazo para a comissão se encerra neste mês. Assim, após escutar as testemunhas, o deputado teria janeiro e fevereiro para concluir seu relatório.

A intenção do relator é ouvir detetives particulares e juristas, numa tentativa de coibir grampos de arapongas e criar uma base sólida para a proposição de uma nova Lei para as escutas telefônicas.

Em relação a dois requerimentos polêmicos, que convocam o ex-deputado petista Luiz Eduardo Greenhalgh, que trabalhou para Daniel Dantas, e o chefe de gabinete do presidente Lula, Gilberto Carvalho, que trocou informações sigilosas com o petista sobre a Agência Brasileira de Inteligência (Abin) durante a Satiagraha, Pellegrino considerou-os desnecessários.

Para ele, a CPI não encontrou nada que desabonasse a conduta dos dois. "Esses requerimentos estão há meses na CPI e não existiu fato novo. Acho que devemos votar a convocação, mas acho que elas são totalmente desnecessárias. Isso é a oposição querendo promover uma briga política", disse.





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