27/10 - 22:02 - Marina Morena Costa, do Último Segundo
SÃO PAULO - Falta de vagas, lotação e um grande número de transferências deixaram de ser problemas exclusivos da rede pública de atendimento hospitalar. Hospitais tradicionais de São Paulo, como o Albert Einstein, Nove de Julho e Samaritano, têm registrado um aumento na demanda e atingido picos de ocupação em seus leitos.
Segundo a assessoria do Hospital Israelita Albert Einstein, o hospital atinge 100% da ocupação de duas a três vezes por semana. Já no Hospital Samaritano, os números indicam uma taxa média de ocupação de leitos de 80%. No ano passado, segundo informações da diretoria do Centro hospitalar, este percentual era de 73%, ou seja, uma elevação de 7%.
No Nove de Julho, a ocupação média chegou a 85% neste ano. Há dois anos, segundo a assessoria de comunicação do hospital, o índice era de 77% de leitos ocupados de segunda a sexta-feira.
Economia aquecida
Para o superintende da Associação Nacional de Hospitais Privados (Anahp), Roberto Cury, o aumento na procura por atendimento em instituições particulares está ligado ao crescimento econômico do País. “Com o aumento de empregos formais, cresce o número de beneficiários da saúde suplementar. Em São Paulo, 80% dos planos de saúde são empresariais”, informa Cury.
A Anahp avalia que os hospitais privados de São Paulo registram uma taxa de ocupação média de 75%. Este percentual cresce no início da semana e cai no seu final, já que os pacientes têm alta. Para a entidade, o crescimento na demanda por leitos particulares é uma exclusividade de São Paulo, não vale para os demais estados brasileiros.
Estratégia
Para absorver os novos pacientes, os hospitais têm investido em reformas ou ampliado suas instalações. O Einstein, por exemplo, está com três novos prédios em construção, que elevarão o número de leitos de 500 para 720. A primeira etapa da obra será entregue no início de 2009. A previsão é de concluir o projeto em 2012.
O Samaritano prepara um novo complexo hospitalar de 15 andares. A obra deve ser entregue no primeiro semestre de 2010. Superintendente geral do hospital, o médico José Antônio de Lima, explica que a instituição tem reduzido o processo burocrático, entre outras medidas, para diminuir o tempo de espera dos pacientes e garantir vagas nos seus leitos. “Quase 90% das nossas internações eletivas [não emergenciais] são pré-agendadas. Os pacientes preenchem a ficha de cadastro online e evitam a perda de tempo com a burocracia”.
Nos picos de ocupação, Lima diz que a ordem no Samaritano é priorizar casos graves e efetuar as transferências com segurança. “Recebemos, por mês, uma média de 12 mil casos de emergência no pronto-socorro e 1,2 mil internações. São números que exigem muito da administração”, avalia o superintendente.
Seguindo o mesmo caminho, o Hospital Sírio-Libanês irá inaugurar, no próximo mês de novembro, uma nova Unidade de Tratamento Intensivo (UTI) com 82 novos leitos.
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