20/10 - 11:25 , atualizada às 14:36 20/10 - Redação
O depoimento da jovem Nayara, de 15 anos, que foi feita refém junto com a amiga Eloá Pimentel, é considerado fundamental para esclarecer o desfecho do sequestro em Santo André. As duas foram mantidas em cárcere privado pelo jovem Lindemberg Alves, de 22 anos, ex-namorado de Eloá.
Nayara, que foi baleada no rosto e passou por uma cirurgia na sexta-feira, deve prestar depoimento apenas depois de receber alta do Centro Hospitalar de Santo André. Em conversa informal, porém, a jovem teria dito a peritos que Lindemberg atirou nas amigas após se assustar com o barulho da bomba detonada pela polícia para invadir o apartamento.
Segundo estes peritos, Nayara afirmou que nenhum disparo foi feito minutos antes da invasão. Já os policiais do Gate (Grupo de Ações Táticas Especiais) afirmaram que só invadiram o local após terem ouvido tiros vindo do apartamento.
Nayara teria dito que Linbemberg disparou primeiro em Eloá, que morreu após ter sido atingida por dois tiros – um na cabeça e outro perto da virilha -, e depois nela.
A adolescente, que tem "bom quadro evolutivo" para a cirurgia facial a que foi submetida, deve permanecer internada por mais dez dias. "Ela pode esclarecer várias dúvidas, principalmente em relação a forma como ele agiu, a decisão que tomou em dar o tiro," afirmou o delegado Luiz Carlos dos Santos, da seccional de Santo André. Assim que ela for ouvida será feita a reconstituição do crime.
Na reconstituição, Lindemberg também poderá mostrar como agiu à polícia. O jovem está preso no Centro de Detenção Provisória de Pinheiros, na zona oeste de São Paulo. Segundo investigadores, Lindemberg disse que não teria se matado porque não havia mais balas no revólver. Ele ainda não sabe da morte da ex-namorada.
O caso
| Futura Press |
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| Amigas Eloá e Nayara/ Arquivo pessoal |
Na terça-feira, ele libertou a amiga da ex-namorada, Nayara, que foi rendida novamente na manhã de quinta-feira. Seu retorno foi um pedido do sequestrador como condição para a libertação de Eloá, mas, quando a menina entrou no apartamento, tornou-se refém.
Pouco antes do desfecho do sequestro, a equipe do Batalhão de Choque da PM estava posicionada no apartamento ao lado onde estavam Lindembergue e as reféns. De acordo com a polícia, na sexta-feira, os agentes decidiram invadir o apartamento após ouvirem um disparo.
Os policiais arrombaram a porta do apartamento e explodiram uma bomba de efeito moral. Segundo o coronel Eduardo José Félix, comandante do Batalhão de Choque da Polícia Militar, neste momento a equipe ouviu três disparos vindos de dentro do apartamento. Ao invadirem o local, exatamente às 18h08, os policiais encontraram o seqüestrador de pé, entre a sala e a cozinha. Eloá estava caída baleada na cabeça e Nayara estava com um ferimento na boca.
A primeira a sair do apartamento foi Nayara, que saiu caminhando e foi colocada numa ambulância do Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu). Lindembergue foi levado para uma viatura da Força Tática. A ex-namorada de Lindembergue saiu carregada por um policial e foi levada numa maca até a ambulância do Samu.
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