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Coronel diz que colocaria o próprio filho para ajudar em negociações

18/10 - 12:27 , atualizada às 16:09 18/10 - Amanda Demetrio - Último Segundo

SÃO PAULO - O coronel Eduardo José Félix de Oliveira, comandante-geral do Policiamento de Choque da Polícia Militar, que participou da operação de resgate da jovem Eloá, sequestrada pelo ex-namorado, afirmou que colocaria o próprio filho para ajudar nas negociações, ao comentar ação mais polêmica dos policiais: a permissão para a volta ao cativeiro de Nayara, de 15 anos, amiga de Eloá.

 

 

Acordo OrtográficoAo relatar como foram as negociações entre os policiais militares e o sequestrador, o industriário Lindembergue Fernandes Alves, de 22 anos, o coronel disse que o plano não era Nayara entrar novamente no apartamento.

A idéia, segundo ele, era que a adolescente se aproximasse da porta, acompanhada pelo irmão de Heloá, para ajudar nas negociações. “Mas ela reagiu de forma inesperada e entrou no apartamento”, disse, em entrevista coletiva à imprensa na manhã deste sábado.

Questionado sobre se ajudar nas negociações não seria muita responsabilidade para uma menina de apenas 15 anos, ele disse que Nayara estava calma e que, apesar da idade, "é uma menina de muita responsabilidade". Felix de Oliveira afirmou que colocaria o próprio filho na mesma situação de Nayara.

O comandante afirmou que o resultado final do sequestro – os tiros disparados contra Eloá e sua amiga, Nayara - foi provocado pelo rapaz e não pelas ações do Gate (Grupo de Ações Táticas Especiais).

"A invasão só seria em último caso. Fizemos de tudo para preservar a vidas das três pessoas que estavam no apartamento. Lindembergue apresentou em todo o tempo picos de alternâncias de humor. Quem provocou esse desfecho de invasão foi o responsável pela crise", afirmou o coronel, defendendo o Gate, como "um dos grupos mais bem preparados, não só no Brasil".

Oliveira reforçou a “força” do Gate dizendo que as estatísticas falam a favor do grupo e assumiu todas as responsabilidades das atitudes da operação. “Toda a operação foi administrada por mim, não vou me eximir das responsabilidades”, disse.

A política da polícia, segundo ele, durante todas as negociações foi de preservar a vida de Lindembergue, Nayara e Eloá e seguir o caminho da conversa. Desta maneira, ele justificou o fato de a polícia não ter atirado no rapaz quando teve chance e não ter invadido o apartamento antes da noite da última sexta-feira. “Quero deixar claro que não importava quantas noites iríamos continuar lá, a intenção não era entrar”, finalizou.

Momentos finais

Sobre os momentos finais do sequestro, o coronel disse que teriam ocorrido cinco disparos nos momentos finais do seqüestro, mas a perícia ainda não definiu a quantidade de tiros. Um deles atingiu a parede, dois acertaram Eloá e outro, Nayara.

"Ele deu o primeiro tiro. No momento da entrada dos policiais, ele descarregou a arma e atirou inclusive contra a nossa equipe. Confio 100% na minha equipe. Eles não invadiriam o apartamento se não tivesse ocorrido o disparo", acrescentou o coronel.

Por fim, o coronel lamentou as circunstâncias da concessão da coletiva. “A gente gostaria de estar dando esta entrevista de uma forma diferente, mas as ações do Gate sempre envolvem risco de morte”, disse.

Antes da invasão

O coronel Oliveira contou um pouco dos momentos que antecederam a invasão do apartamento. Segundo ele, na sexta-feira, ele disse que queria não ser preso e, quando foi informado de que isto não seria possível, pediu uma garantia de ir para presídio e cela especiais e a garantia de sua integridade física. A presença de sua irmã e cunhado também foram solicitadas.

Cumpridas todas as exigências, os policiais foram para um apartamento no andar debaixo do em que acontecia o sequestro para esperar que ele se entregasse. “Mas ele voltou depois e disse que ainda tinha muito a resolver com ela [Eloá] e, neste momento, ele pediu a saída de todos”, disse.

Lindembergue teria pedido, ainda, a substituição do negociador que estava no posto. “Eu peço que você mude para não te prejudicar”, teria dito, demonstrando um certo grau de apego com o comandante do Gate, Adriano Giovanini.

Oliveira conta que e equipe se mobilizou nas tentativas de acalmar o rapaz e reverter o quadro considerado como “depressivo” pela corporação. Apesar das tentativas, o rapaz se descontrolou e, segundo o coronel, deu o primeiro tiro, que foi seguido pela invasão.

Dúvidas comuns

O coronel da PM respondeu, também, a algumas dúvidas comuns que surgiram sobre a conduta da polícia. Sobre se a polícia sabia quando e onde ele dormia, Oliveira disse que a polícia não tinha tais informações.

Apenas a Nayara, quando esteve fora do cativeiro, teria dito que “cada dia ele dorme em um lugar e ele acende a televisão para dar a impressão de estar acordado”. A polícia tinha apenas mecanismos de escuta lá dentro e ouvia as conversas – que alternavam conversas de amigos e brigas, conta o coronel.

Muitos levantaram a possibilidade de se colocar sonífero ou algum gás na comida mandada a Lindembergue para que ele pudesse dormir. Segundo Oliveira, os remédios demoram até 15 minutos para fazer efeito e, neste meio tempo, o rapaz poderia se sentir traído e colocar as pessoas em risco.

O fato de os policiais não terem cortado o celular do rapaz dentro da casa também foi questionado. O policial disse que o telefone fixo foi, sim, cortado, mas os procedimentos para se cortar um celular seriam muito demorados, até para a polícia. Além disso, o celular era a única ligação entre negociador e sequestrador.

(Com informações da Agência Estado)

Assista ao vídeo

Médicos explicam estado de saúde de Eloá e Nayara

 

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