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Protesto de policiais em SP foi “um tiro no pé”, diz ex-secretário de Segurança Pública

17/10 - 16:09 , atualizada às 16:09 17/10 - Anderson Dezan, do Último Segundo

SÃO PAULO – O ex-secretário nacional de Segurança Pública, coronel José Vicente da Silva Filho, criticou nesta sexta-feira o protesto feito ontem por policiais civis nas proximidades do Palácio dos Bandeirantes, no Morumbi, zona oeste de São Paulo. Para ele, o protesto desta quinta-feira foi “um tiro no pé”. Os manifestantes queriam ser recebidos pelo governo e tentaram furar o bloqueio da Polícia Militar, dando início a um confronto. No enfrentamento foram utilizadas bombas de gás lacrimogêneo, de efeito moral e balas de borracha, deixando pelo menos 24 pessoas feridas.

 

“Policiais verdadeiramente identificados com sua profissão são contra esse tipo de manifestação ilegítima, que gera confusões. A polícia tem que fazer seu papel de combater a desordem pública”, declarou o coronel.

O ex-secretário diz não acreditar que as outras unidades da Polícia Civil no País irão paralisar suas atividades em apoio à estrutura de São Paulo. Para ele, essa atitude só iria afetar a prestação de serviços aos brasileiros. O coronel crê ainda que o manifesto não irá abalar muito o nível de cooperação entre as polícias de São Paulo.

“O protesto não afeta seriamente o relacionamento institucional entre os representantes das polícias civil e militar”, disse. “Eles não vão parar de se falar por causa de um determinado grupo de manifestantes”.

AE
Policiais civis e militares durante confronto em São Paulo na quinta-feira

Policiais civis e militares durante confronto em São Paulo na quinta-feira

José Vicente da Silva Filho lembra que em São Paulo as três polícias (civil, militar e metropolitana) possuem uma estrutura salarial igual. Mediante esse fato, a exigência principal dos manifestantes – aumento de 15% em 2008 e reajuste de 12% para 2009 e 2010 – poderia gerar um desconforto entre as esferas.

“São Paulo é o único Estado em que as três unidades policiais têm uma equidade salarial. A reivindicação feita pelos manifestantes a respeito do salário pode atender ao sindicato, mas pode trazer uma inquietação na estrutura policial”.

Ontem, o governador José Serra (PSDB) disse que o movimento tinha conotações eleitorais. Ele acusou PT, CUT e Força Sindical de terem comandado o manifesto, incitando os presentes. Para o coronel José Vicente da Silva Filho, o protesto foi “outra idéia irracional que saiu das lideranças sindicais que organizaram a manifestação”.

“Essa manifestação é um acinte e o governo não pode aceitá-la como fator de pressão”, afirmou. “A polícia precisa ser vista pela população como a zeladora da ordem pública e isso ela está quebrando e vai demorar muito tempo para recuperar”, finalizou.

Veja imagens do confronto:


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