18/09 - 17:18 - Severino Motta - Último Segundo/Santafé Idéias
BRASÍLIA - O advogado Nélio Machado, que defende o banqueiro Daniel Dantas, preso na Operação Satiagraha, da Polícia Federal, disse nesta quinta-feira que o depoimento do ministro da Defesa, Nelson Jobim, realizado na quarta-feira na CPI dos Grampos, na Câmara dos Deputados, reforça a defesa do banqueiro.
O ministro em seu depoimento afirmou que o afastamento da cúpula da Abin se deu devido à participação de agentes do órgão em uma investigação policial comum, no caso, a Satiagraha, o que, segundo ele, é vedado pela Constituição Federal.
“A declaração do Jobim tem peso. Ele foi ministro do Supremo e está dizendo exatamente aquilo que a defesa diz. O que vale é a Constituição Federal e o Código de Processo Penal”, disse o advogado Nélio Machado.
A estratégia da defesa de Dantas visa desqualificar todas as provas que acreditam terem sido colhidas de forma ilegal devido à participação dos agentes da Abin. Caso tenha sucesso, a defesa pode invalidar quase toda a Operação Satiagraha e consequentemente o inquérito contra Daniel Dantas.
Direito de defesa
Nélio ainda comentou que pretende ingressar na Justiça Federal de São Paulo com um pedido para que todo o áudio da reunião da cúpula da PF que determinou o afastamento do delegado Protógenes Queiroz das investigações seja liberado para a defesa.
Ele comentou que a Justiça já havia lhe concedido o direito a tais informações, mas que voltou atrás na decisão. Ao seu ver, a não obtenção de tais dados representa um cerceamento do direito de defesa. A expectativa dos advogados é que este áudio contenha indicações mais claras de como se deu a participação dos agentes da Abin na Operação Satiagraha.

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