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Félix confirma existência de grampo e não descarta ação da Abin

02/09 - 17:15 , atualizada às 20:29 02/09 - Severino Motta - Último Segundo/Santafé Idéias

BRASÍLIA - O ministro-chefe do Gabinete de Segurança Institucional (GSI) da Presidência, general Jorge Félix, admitiu que o telefonema entre o senador Demóstenes Torres (DEM-GO) e do presidente do Supremo, ministro Gilmar Mendes, foi alvo de grampo. "Com a confirmação de Demóstenes e Mendes [sobre a conversa], temos concretamente que o telefonema foi gravado". Com a afirmação, Félix não descartou a possibilidade de agentes da Abin terem feito a escuta, mas ressaltou que nesse momento é impossível se chegar a uma conclusão sobre o autor da espionagem.

 

"Nós não descartamos nenhuma hipótese, nem mesmo essa [de servidores da Abin terem feito o grampo]. Eu repito que a Abin enquanto instituição é uma coisa, seus funcionários, por outro lado, são humanos, sujeitos de erros e acertos", explicou. "Certamente a Abin como instituição não fez e não faz essa escuta", completou.

Félix também destacou que, além do inquérito aberto na Polícia Federal para apurar o grampo contra Mendes e Torres, procedimentos estão abertos na Abin para descobrir se a escuta realmente foi feita por agentes.

Enquanto aguarda o resultado das investigações, o general comentou que é muito cedo para se afirmar quem foi grampeado no diálogo entre Mendes e Torres. De acordo com ele, a escuta pode ter sido feita diretamente no Senado ou junto à operadora de celular.

"[O grampo] Pode ter sido de um lado, do outro lado, pode ter sido no Supremo, no Senado ou desviado, como se faz comumente, numa programação do computador da operadora", disse.

Outra hipótese, pouco comentada pelo general, foi a do banqueiro Daniel Dantas ter algum tipo de participação no grampo contra Mendes e Torres, supostamente numa tentativa de desacreditar a Abin e por conseqüência a Polícia Federal, que obteve colaboração da Agência na operação Satiagraha.

"Houve reunião ontem à tarde [com o presidente Lula], mas foi uma reunião reservada, de modo que eu não tenho, eticamente, o direito de comentar aquilo que foi conversado. Foram tratados temas como política partidária, e foi tratado esse tema também", disse Félix ao responder pergunta sobre Dantas feita pelo relator da CPI, Nelson Pellegrino (PT-BA).

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