02/09 - 19:38 , atualizada às 19:41 02/09 - Severino Motta - Último Segundo/Santafé Idéias
BRASÍLIA - O ministro-chefe do Gabinete de Segurança Institucional (GSI) da Presidência, general Jorge Félix, disse que o Exército brasileiro está fazendo uma perícia em todos os equipamentos da Agência Brasileira de Inteligência (Abin). O objetivo é descobrir se a instituição possui ou não aparelhos que façam escutas telefônicas. Tanto Félix quanto o diretor-geral afastado da Abin, Paulo Lacerda, têm dito que a Agência só possui equipamentos para a varredura e não para o grampeamento. Acompanhe ao lado.
"O que eu afirmo é que foi comprado como equipamento de varredura. Se ele permite também, ou mediante aquisição de outros equipamentos [fazer grampos], essa perícia vai dizer", explicou.
Félix revelou que na reunião realizada ontem, na presidência da República, o ministro da Defesa, Nelson Jobim, disse que a Abin participou de uma compra conjunta com o Exército brasileiro de equipamentos para monitorar ligações telefônicas.
O general alegou que os equipamentos eram, na verdade, para varredura. E por isso pediu que dois técnicos do exército fossem fazer a perícia.
"Como Jobim levantou essa hipótese nós, hoje de manhã, pedimos que o exército nos mandasse técnicos e mandamos que eles levantassem o equipamento que existe na Abin. Assim que eu tiver laudo, se não for conclusivo, chamaremos outros técnicos para chegar a conclusão. O que eu afirmo é que foi comprado como equipamento de varredura", explicou.
Adjunto da Abin ficou para amanhã
O diretor-adjunto afastado da Abin, Milton Campana, que veio à CPI com o general Jorge Félix, não vai mais depor nesta noite. A oitiva de Campana ficou agendada para esta quarta-feira.
Crise
A revista "Veja" desta semana trouxe matéria revelando um telefonema grampeado entre o presidente do Supremo, ministro Gilmar Mendes, e o senador Demóstenes Torres (DEM-GO). De acordo com a publicação, a Abin foi a responsável pelos grampos, que também atingiram outros senadores e ministros da República.
A crise fez com que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva afastasse temporariamente o diretor-geral da Abin, Paulo Lacerda e seu diretor-adjunto, Milton Campana. Um inquérito foi aberto na Polícia Federal para apurar o caso.
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