27/08 - 14:18 - Regina Bandeira - Último Segundo/Santafé Idéias
BRASÍLIA - A advogada indígena que falou em nome das cinco etnias que habitam a reserva Raposa Serra do Sol no julgamento que ocorreu nesta quarta-feira no Supremo Tribunal Federal (STF), Joênia Batista Wapichana, 34 anos, disse não ter tido medo de defender seu povo na Suprema Corte brasileira.
Segundo Joênia, que é a primeira advogada indígena mulher no Brasil, os pajés (mediadores entre os espíritos e a tribo) a defenderam. “Tenho meus parentes e conto com meus pajés para me proteger. Estou tranquila”, disse a índia, que se formou há 10 anos na Universidade Federal de Roraima (UFRR).
Joênia lembrou que sofreu muito preconceito e violência em seu estado por conta de sua origem. “Na infância, cresci ouvindo ‘bota a cerca, tira a cerca’, nos acostumamos ao tratamento violento e discriminatório dos fazendeiros”, lembrou Joênia que, atualmente, só defende causas indígenas.
Durante o julgamento do STF que decidirá sobre a demarcação da terras da reserva Serra do Sol, a advogada ocupou a tribuna para defender a ocupação contínua das terras e a retirada dos não–índios do território.
“Nossa vida é a nossa terra. Esperamos que hoje seja colocado um ponto final na violência que os povos indígenas estão sofrendo. Já tivemos 21 lideranças assassinadas, casas queimadas e ameaças foram feitas", alertou.
E seguiu. "Somos acusados de ladrões dentro de nossa própria terra. Somos caluniados, discriminados. Isso tem que ter um fim”, disse Joênia, que passou no vestibular, em 1997, bem antes de o ´País adotar o sistema de cotas para minorias.
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