27/08 - 07:24 - Carollina Andrade - Último Segundo/Santafé Idéias
BRASÍLIA - Embora entidades indígenas receiem por mais conflitos com arrozeiros em Raposa Serra do Sol, caso a decisão do Supremo Tribunal Federal (STF) confirme a demarcação contínua das terras, a Fundação Nacional do Índio (Funai) reafirma que o julgamento previsto para esta quarta-feira deverá por fim à disputa que já dura quase dez anos.
Segundo o coordenador-geral de identificação e demarcação de terras indígenas da Funai, Paulo Santilli, o julgamento acontece no momento certo, em que a grande maioria dos posseiros já foi indenizada e assentada em outras regiões. “Acredito que não haverá mais conflitos. Acho que a desocupação acontecerá de forma pacífica. Os arrozeiros terão seus interesses recompensados. Então, não há por que esperar novos conflitos”, disse Santilli.
Desde 1999, famílias têm sido retiradas pela Funai para a demarcação contínua de cerca de 1,747 milhão de hectares ao norte do estado de Roraima, onde vivem aproximadamente 18 mil indígenas de cinco etnias: Makuxi, Taurepang, Wapixana, Ingarikó e Patamona.
Entretanto, o impasse em torno da homologação tem provocado conflitos entre índios e arrozeiros e, para o coordenador-geral do Conselho Indígena de Roraima (CIR), Dionito José de Souza, novos embates devem ocorrer na área, seja qual for o resultado do julgamento no STF.
“A resistência parte dos invasores, mais especificamente do terrorista Paulo César Quartiero [prefeito de Pacaraima e líder dos fazendeiros]. Ele já fez o “diabo” na região. Matou índios, colocou fogo em casas, soltou bombas. Então, é claro que tememos pelo pior por parte dele. Não queremos conviver com bandido”, ressaltou.
Em entrevista ao Último Segundo, Quartiero declarou que não liderou resistência armada, mas alertou para a possibilidade de ocorrência de outros conflitos. Segundo ele, se a Corte determinar a retirada dos não-índios, haverá resistência dos arrozeiros “dentro da lei”.
O assessor político do Conselho Indigenista Missionário (CIMI), Paulo Maldos, também desconfia de um desfecho pacífico para a desocupação. “Receio pelo resultado e por mais conflitos na região. Já sabemos que eles [arrozeiros] são capazes de coisas terríveis”, disse. Para Maldos, a região só se tornará tranqüila com a saída dos arrozeiros.
Quanto à previsão otimista da Funai, ela se baseia no fato de o julgamento no STF ser a última etapa de processos envolvendo as terras. “Já foi feito o estudo da região, o reconhecimento da terra, o registro dela e a indenização dos não-índios. Logo, acredito que o julgamento irá ocorrer em torno de um processo já administrado, conclusivo e que desperta grande expectativa”, acrescentou.
Leia também:
Leia mais sobre: Raposa Serra do Sol

Publicidade
Tarso afirma que PF está preparada para agir em Raposa Serra do Sol
Decisão do STF terá 'grandes conseqüências' para índios, diz FT
Líder dos arrozeiros acompanhará em Brasília julgamento de ação sobre Raposa
Índios dizem que não desocupam áreas da Raposa, qualquer que seja a decisão do STF