26/08 - 15:31 - Carollina Andrade - Último Segundo/Santafé Idéias
BRASÍLIA - O ministro da Justiça, Tarso Genro, sinalizou nesta terça-feira que a Polícia Federal (PF) está preparada para agir na retirada de não-índios das terras indígenas Raposa Serra do Sol caso o Supremo Tribunal Federal (STF) confirme a demarcação contínua, em julgamento marcado para quarta-feira. "Não vai ser por falta de ação civilizada que qualquer tipo de decisão vinda da Justiça vai deixar de ser cumprida", declarou.
No início do ano, a PF chegou a iniciar a Operação Upatakon 3, para retirada dos não-índios da região. Porém, em abril, o STF acatou o pedido de liminar do governo de Roraima, sob o argumento de que haveria risco de conflitos intensos entre índios, arrozeiros e policiais.
O ministro ressaltou que o desejo do governo é que a decisão pela demarcação das terras seja mantida conforme previsto na Constituição. "Não trabalhamos com expectativas, mas sim com desejos e o nosso desejo é que a decisão seja mantida, pois está de acordo com todos os procedimentos [legais]", disse.
Tarso alertou ainda que, se a decisão do STF for pela não demarcação, a Corte abrirá precedente para o questionamento de outras áreas indígenas já demarcadas.
Sobre a possibilidade de mais conflitos na região, provocados pela resistência de arrozeiros em deixar a área, o ministro preferiu não se manifestar sobre o assunto. "Prefiro não comentar sobre isso agora, visto que esse tema nem começou a ser discutido pela Corte", disse.
Em entrevista exclusiva ao Último Segundo, o prefeito de Pacaraima e líder dos arrozeiros, Paulo César Quartiero, acusou Tarso de utilizar a máquina pública contra os não-índios e alertou para a possibilidade de ações de retirada poderem provocar mais conflitos na região.
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