13/08 - 16:37 - Severino Motta - Último Segundo/Santafé Idéias
BRASÍLIA - Os ministros do Supremo Tribunal Federal (STF) se mostraram contrariados com o uso de algemas na Operação Dupla Face, deflagrada ontem pela Polícia Federal, que prendeu 32 pessoas. Isso porque, na semana passada, em julgamento de um habeas-corpus, o STF definiu que o instrumento só deve ser usado em situações excepcionais.
“Configura crime de desobediência e é uma afronta visível ao que foi decidido pelo Supremo na semana passada, sujeito à responsabilização penal, civil e administrativa”, disse o decano Celso de Mello. Ele considerou ainda ser preciso ler as leis. “Mas algumas autoridades preferem ler manuais, o que é primário”, avaliou.
O ministro Menezes Direito reforçou que o descumprimento da súmula deve trazer conseqüências e que uma decisão da Corte Suprema não pode ficar subordinada à decisão policial.
Súmula
Apesar do principal item da sessão desta quarta-feira ser uma ação declaratória de constitucionalidade, os ministros iniciaram os trabalhos discutindo o verbete a ser usado na súmula vinculante que determinará em que situações poderá se aplicar o uso das algemas. Após uma série de sugestões, o ministro Cezar Peluso sugeriu uma redação que pode ser analisada pelo pleno ainda hoje. Caso ela seja aprovada, a súmula vinculante será redigida da seguinte maneira:
“Só é lícito o uso de algemas em caso devidamente justificado por escrito de resistência e de fundado receio de fuga ou de perigo à integridade física própria ou alheia por parte do preso ou de terceiros sob pena de responsabilização disciplinar, civil e penal de agentes e autoridades bem como de nulidade da prisão ou do ato processual”.
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