13/08 - 18:14 - Agência Brasil

BRASÍLIA - O banqueiro Daniel Dantas disse nesta quarta-feira, durante depoimento à Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) das Escutas Telefônicas Clandestinas da Câmara, que a empresa Kroll foi contratada para investigar se houve alguma ilegalidade no valor imposto pela Justiça para a compra da Companhia Riograndense de Telecomunicações (CRT). (Assista ao vivo ao depoimento de Dantas na CPI).
Segundo Dantas, na disputa estavam a Brasil Telecom e a Telecom Itália, sócias na época, e, para resolver a questão, a Justiça determinou que a empresa deveria ser vendida por US$ 800 milhões. Quem venceu a disputa foi a Brasil Telecom, que havia oferecido US$ 750 milhões e teve de pagar US$ 50 milhões a mais pela companhia Rio Grandese de Telecomunicações.
A função da Kroll era investigar para onde teria ido esse valor pago a mais pela Brasil Telecom, segundo o banqueiro. "US$ 800 milhões saíram dos cofres da Basil Telecom e foram para os cofres da Telefonica da Espanha, e daí podem ter tido destinos distintos. A função da Kroll era investigar se esse dinheiro teria tido um destino ilícito", explicou Dantas.
Ele também afirmou que a Kroll teria sido contratada em outras ocasiões pela Telecom Itália. Uma delas foi durante a época da privatização. Nesse caso a Telecom Itália queria evitar que o preço que ela iria oferecer na compra de uma empresa fosse antecipado aos concorrentes.
"De fato a Kroll prestou esse serviço. A Telecom Itália foi a contratante, não o consórcio, e quando surgiu o problema dos grampos, ele não dizia mais respeito à Telecom Itália, ele não tinha mais nenhuma materialidade em si", explicou o banqueiro.
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