12/08 - 09:49 , atualizada às 17:07 12/08 - Redação com Agência Estado
CUIABÁ - A Polícia Federal prendeu, nesta terça-feira, 34 pessoas durante a Operação Dupla Face. A ação tem como objetivo combater a corrupção de servidores públicos no Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (Incra) e na Receita Federal. Os detidos são suspeitos de receber propinas e de cometer fraudes para intermediar negociações nesses dois órgãos com o intuito de acelerar processos de certificação de imóveis rurais.
Foram presos 18 servidores públicos e 16 despachantes. Entre os detidos, está um procurador do Incra, cuja identidade não foi revelada. No total, foram expedidos 34 mandados de prisão temporária e 65 de busca e apreensão, totalizando 98 mandados judiciais, no Mato Grosso, Mato Grosso do Sul, Minas Gerais, Paraná e São Paulo.
Entre os crimes cometidos pelos envolvidos estariam o fornecimento de dados sigilosos conseguidos através do cargo, cancelamento de créditos tributários, fraude e agilização de processos de restituição de imposto de renda e regularização de CPFs.
O delegado da PF, Luciano de Azevedo Salgado, disse que os despachantes intermediavam negociações no Incra para acelerar processos de certificação de imóveis rurais. De acordo com a polícia, eles cooptavam proprietários interessados em obter o documento de suas propriedades rurais, intermediando o pagamento de propina a servidores públicos, que poderia chegar até R$ 30 mil.
"A quadrilha dificultava o trâmite desses processos e o andamento só acontecia com o recebimento da propina", afirmou.
Segundo informações da polícia, durante as investigações, foi identificada a existência de duas organizações criminosas, uma que agia no Incra e outra na Receita Federal. Alguns integrantes estariam envolvidos nas duas quadrilhas.
Ainda de acordo com a PF, os investigados que atuavam junto à Receita Federal praticavam diversos crimes em troca de recebimento de suborno. As investigações começaram em 2006 e contaram com o apoio do departamento de inteligência da Receita Federal e da Controladoria-Geral da União (CGU).
O nome da Operação Dupla Face refere-se ao fato de grande parte dos integrantes da quadrilha ser formada por servidores públicos, os quais aparentavam, perante a sociedade, possuir uma conduta ilibada. Entretanto, se locupletavam ilicitamente através de habitual recebimento de propina, possuindo dessa forma "duas caras".
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