07/08 - 18:49 , atualizada às 19:03 07/08 - Redação
RIO DE JANEIRO – A CPI das milícias da Assembléia Legislativa do Rio (Alerj) vai investigar a existência de organizações criminosas em Jacarepaguá, zona Oeste do Rio. A área foi citada nesta quinta-feira pelo titular da Delegacia de Repressão às Ações Criminosas Organizadas e Inquéritos Especiais (Draco), Cláudio Ferraz, como uma das regiões mais lucrativas para as milícias.
De acordo com o presidente da CPI, deputado Marcelo Freixo (PSol), o depoimento do policial foi fundamental para que a comissão possa começar a estudar outra comunidade baseada numa informação oficial.
“Vamos convidar o delegado da 32ª DP (Jacarepaguá) e isso já nos permite partir para outros diagnósticos. O objetivo da comissão é fazer uma análise global sobre a ação desses grupos, e não se limitar a uma só região”, explicou.
Além de fazer uma conceituação sobre crimes organizados e as milícias, o delegado da Draco destacou que a solução para o fim da atividade em questão, e também do tráfico, deve ser baseada em ações sociais, em controle externo e interno das Polícias e de profissionalização do exercício policial.
“Precisamos de um conjunto de medidas. A abordagem tem que ser sistêmica e não é necessário inventar nada. Temos modelos a serem copiados como, por exemplo, o de Chicago, de Nova Iorque e de Washington”, citou.
Ferraz disse ainda que não adianta contratar mais policiais para as polícias, enquanto houver a atual estrutura.
“O que existe hoje é um ambiente propício para que o policial ingresse nas atividades ilegais. Você tem servidores desmotivados, mal remunerados e que buscam um segundo emprego para se sustentar. Recrutar policiais nesse ambiente significa dar a um maior número de profissionais a possibilidade de ingressar no meio escuso”, avaliou o delegado.
A CPI das milícias ainda pretende ouvir o secretário estadual de Segurança Pública, José Mariano Beltrame, o delegado da 32ª DP, o procurador-geral de Justiça do estado, Marfan Martins Vieira, e o promotor de Santa Cruz.
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