06/08 - 18:01 , atualizada às 19:49 06/08 - Regina Bandeira - Último Segundo/Santafé Idéias
BRASÍLIA - A partir da afirmação do delegado da Polícia Federal Protógenes Quieroz de que o chefe de gabinete da Presidência da República, Gilberto Carvalho, é investigado no âmbito da Operação Satiagraha, o deputado Vanderlei Macris (PSDB-SP) disse que vai apresentar requerimento na Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) das Escutas Telefônicas, da Câmara dos Deputados, para convocá-lo. “Se há investigação, há algum tipo de indício. Queremos trazê-lo para que ele [Carvalho] fale na comissão”, afirmou.
Além de Carvalho, já há requerimentos convocando o ex-deputado Luiz Eduardo Greenhalgh. O ex-parlamentar teria pedido informações a Carvalho sobre andamento das investigações.
Após terceira paralisação para que os deputados pudessem votar em plenário, o depoimento do delegado Protógenes Queiroz, que comandou a operação, foi retomado.
Atrito com a PF
O delegado Protógenes negou nesta quarta, em depoimento na CPI, ter havido pressão para que ele deixasse o comando da Operação Satiagraha. Entretanto, ele ponderou que, em toda operação, envolvendo “pessoas importantes”, há sempre obstáculos a serem transpostos.
“Se esses obstáculos atrapalharam ou não a investigação, cabe ao Ministério Público esclarecer à sociedade”, disse. Segundo o delegado, esta investigação também está sob sigilo.
“Toda reestruturação atingem determinados setores. Dentro desta reestruturação, houve, por parte de um grupo [da PF], uma dificuldade comigo. Meu jeito, minha forma de trabalhar foi considerada leviana”, ponderou.
Queiroz evitou dar detalhes sobre a passagem da coordenação da operação à outra equipe alegando investigações cobertas por sigilo, mas repetiu o argumento de que o curso que faz na Academia Nacional de Polícia já estava programado, não sendo uma desculpa para seu afastamento.
Dantas é investigado por escutas ilegais
Sob alegação de limitação legal, Protógenes evitou confirmar se o grupo do banqueiro Daniel Dantas chegou a quebrar sigilos telefônicos na disputa da Brasil Telecom - empresa a qual o iG pertence.
Porém, segundo o delegado, existem investigações na 5ª e 6ª Vara Criminal de São Paulo sobre o assunto. Existe a suspeita de que Dantas teria contratado a empresa Kroll para espionar concorrentes.
O delegado também afirmou não poder responder quando as interceptações telefônicas feitas pela PF a Daniel Dantas começaram. No entanto, declarou que o trabalho de investigação começou em 2004. Os deputados devem questionar sobre qual foi o tempo total de escutas. “Quase quatro anos é tempo demais”, disse o deputado Walderlei Macris (PSDB-SP).
Leia também:
Leia mais sobre: Protógenes

Publicidade
Grupo não sabe quem são os responsáveis formais por suas empresas