05/08 - 18:07 , atualizada às 18:13 05/08 - Carolina Garcia, do Último Segundo
GOIÁS - O dono do carro usado por Mohamed D'Ali Santos, de 20 anos, suspeito da morte e esquartejamento da inglesa Cara Marie Burke, se apresentou à polícia espontaneamente na manhã desta terça-feira para prestar depoimento. Segundo o delegado Carlos Raimundo Batista, um dos responsáveis pelo caso, Cristiano Carvalho da Silva, de 27 anos, será indiciado pelo crime de ocultação de cadáver, pois de alguma forma contribuiu para o fato. "Como deixou o carro ser usado e não ter comentado nada a polícia e a ninguém, ele será indiciado".
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"Mesmo tomando essa atitude, ele não procurou pela polícia para denunciar Mohamed. Se tivesse feito isso, com certeza, não teriamos motivos para indiciá-lo", afirmou Batista.
O delegado José Maria, tembém responsáveis pela investigação, afirmou que Cristiano Silva disse que não se apresentou anteriormente porque ficou assustado com a repercussão do caso e tinha medo de ser tratado como cúmplice na morte da inglesa.
Corpo encontrado
Na segunda-feira, o Corpo de Bombeiros de Goiás encontrou a cabeça da jovem inglesa, no Ribeirão Sozinha, em Bonfinópolis (GO), a cerca de 30 quilômetros da capital de Goiás. Segundo o delegado Carlos Raimundo Batista, da Delegacia de Homicídios da cidade, a única parte do corpo que ainda não foi encontrada é a perna esquerda.
Mais cedo, na parte da manhã, os bombeiros já haviam encontrado dois braços, que podem ser da jovem inglesa. No domingo, os bombeiros encontraram uma perna e pedaços de pele que podem ser de Cara nas proximidades do Sozinha.
Entenda o caso
Mohamed é suspeito de esfaquear, matar, esquartejar e jogar os pedaços do corpo da estudante inglesa Cara dentro de dois rios em Goiânia. Ele foi preso na última quinta-feira, dia 31, no setor universitário de Goiânia.
De acordo com o comandante do Batalhão de Ronda Ostensiva Tática Metropolitana (Rotam), Cláudio de Oliveira, o suspeito confessou o crime e disse que resolveu matá-la, pois ela iria contar para seus pais e à polícia que ele era viciado em cocaína.
Mohamed não ofereceu resistência à prisão e foi classificado como uma pessoa “extremamente fria”. Ele informou não ter cometido o crime sob o efeito do entorpecente e diz que costuma usar cocaína com freqüência.
Depois de tê-la esfaqueado e matado, segundo a polícia, o rapaz guardou o corpo de Cara no box do banheiro e foi a uma festa. No domingo, resolveu esquartejá-la para facilitar a retirada do corpo do imóvel. O ato foi feito com uma faca grande com cabo branco, como as de açougueiro, contou Oliveira. Em seguida, colocou o tórax da adolescente em uma mala e jogou dentro do Rio Meia Ponte, na Região Leste de Goiânia.
Não satisfeito, ainda segundo a polícia, dirigiu 60 quilômetros com as outras partes do corpo – membros e cabeça - da vítima no carro e jogou-as em outro rio. Elas ainda não foram encontradas pela PM, que atua com duas equipes e com mergulhadores para tentar localizá-las.
O rio, segundo o major, é bastante raso, o que deve facilitar o trabalho da polícia. Os bombeiros auxiliam nas buscas e a polícia científica está no apartamento onde ocorreu o crime.
A faca utilizada no ato foi encontrada dentro de um bueiro na rua da casa do suspeito. Segundo a polícia, o rapaz conheceu a menina em Londres, em um intercâmbio e não era namorado da garota.
A jovem foi identificada pela família através de duas tatuagens, exibidas em um canal internacional de notícias.
O caso está sendo investigado pela Delegacia de Homicídios de Goiânia. A embaixada britânica em Brasília informou que tomou ciência do caso e está acompanhando o trabalho da polícia de Goiás.
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