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Suposta relação do Planalto com Farc será investigada pelo Congresso

02/08 - 13:54 - Regina Bandeira - Último Segundo/Santafé Idéias

BRASÍLIA - Os parlamentares das comissões de relações exteriores da Câmara e do Senado vão investigar se, de fato, ministros e autoridades do governo mantiveram contato com membros da Farc (Força Armada Revolucionária Colombiana). O suposto vínculo teria sido sugerido por e-mails trocados entre o ex-líder do grupo Raul Reyes, morto este ano, e membros da guerrilha no Brasil, revelados em reportagem da revista colombiana Cambio, no início da semana.

O senador Heráclito Fortes (DEM-PI), presidente da comissão no Senado, afirmou que já na próxima semana poderão ser requeridas cópias das mensagens ou a mesmo a convocação de alguém da ABIN (Agência Brasileira de Inteligência) para explicar até onde vai o ponto de contato dos narcotraficantes com o governo. “A Agência está analisando o teor dos e-mails. Eles são sigilosos, mas pode ser que a comissão consiga requerer cópias para uma análise”, disse.

Na Câmara, a comissão de Relações Exteriores também discutirá uma forma de abordar o tema. A idéia, segundo o deputado Antônio Pannunzio (PSDB-SP), é que seja esclarecido “o nível de contato” entre as pessoas citadas nos e-mails “para se saber que tipo de compromisso” há entre eles.

Rebate

O líder do governo na Câmara, deputado Henrique Fontana (PT-SC), minimizou a mobilização dos parlamentares oposicionistas no Congresso e defendeu a política externa  “pacifista” do governo do presidente Lula. “Essa é mais uma tentativa da oposição de criar um foco de crítica do governo. Eles querem recriar o ambiente da guerra fria, mas o governo do presidente Lula está certo em manter um ambiente de diálogo externo”, rebateu. 

Segundo Fontana, “ouvir pedidos não significa concordância ou cumplicidade”. E aproveitou para devolver a crítica de que os guerrilheiros colombianos seriam familiarizados com políticos petistas. “O governo anterior (do presidente Fernando Henrique Cardoso) também recebeu representantes da Farc”, afirmou. 

Apesar de vários integrantes do governo federal –inclusive o ministro de Relações Exteriores, chanceler Celso Amorim, e o assessor especial para assuntos internacionais da Presidência da República, Marco Aurélio Garcia – terem sido citados nas correspondências, nenhuma das mensagens se dirigia diretamente a qualquer autoridade palaciana. 

A pedido da presidência da República, as informações contidas nas mensagens de Raúl Reyes serão investigadas pela Abin; depois disso, um relatório será preparado e entregue ao presidente Lula. 





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