30/07 - 19:24 - Redação
SÃO PAULO - O Ministério Público Estadual iniciou, nesta quarta-feira, o acompanhamento das investigações sobre a morte do bebê Gabriel dos Santos Ribeira, que ocorreu na última sexta-feira na creche Pedacinho do Céu, localizada na Vila Medeiros, na Zona Norte de São Paulo.
A promotora designada para acompanhar o caso, Cinthia Maria Schiavoni Gruber, ouviu nesta quarta-feira a proprietária e sete funcionários da creche, em depoimentos dados no 90º DP (Parque Novo Mundo).
Na quinta-feira, os médicos que atenderam o bebê no hospital deverão ser ouvidos. Segundo Cinthia, a perícia da creche deverá ser pedida, por ser elemento "fundamental" para o esclarecimento do caso, assim como o laudo do Instituto Médico Legal.
Júlio César Ribeiro, pai do bebê Gabriel, que morreu de parada cardiorrespiratória após ter almoçado na última sexta-feira, também compareceu à delegacia onde a dona da creche Pedacinho do Céu, Suzana Aparecida Leão e suas funcionárias, prestaram depoimento sobre a morte do menino nesta quarta-feira. Ribeiro afirmou que acredita que os advogados da dona da creche possam ter adulterado a ficha do menino, que, segundo ele, relatavam os problemas do menino.
O pai afirmou que foi um erro da polícia deixar a ficha com os advogados, já que o caderno seria facilmente adulterado e deveria ter sido guardado pela polícia. Ribeiro reafirmou que sua mulher colocou todas as informações de saúde de seu filho na ficha, mas que o refluxo não seria o maior problema com as pessoas do hospital. Segundo ele, o pior seria que havia ninguém olhando seu filho quando ele engasgou.
Ribeiro contou que saiu às 14h do trabalho, tocou a campainha da creche às 14h15 e o resgate teria somente sido acionado às 14h18, após sua chegada. “É um absurdo, só perceberam que ele estava passando mal quando cheguei, ou seja, não tinha ninguém olhando. Ninguém olhou meu filho agonizando”, disse.
Sobre a saúde de seu filho, ele disse que a criança passou por uma cirurgia aos seis meses para a retirada de um 6º dedo na mão e saiu do hospital no mesmo dia, saudável. "Gabriel tinha 9 quilos e comia muito bem e seu refluxo estava controlado", afirmou.
Versões para o caso
Os pais alegam que houve negligência por parte dos empregados já que, segundo eles, quando a criança foi entregue à creche estava “bem de saúde”. Segundo a mãe do bebê, Gabriel foi entregue às 11h à escola e estava “feliz, contente e sem nenhuma doença”.
A direção da creche nega as acusações e classifica o caso como "fatalidade". Por meio de nota, ela informa que a "escola (...) é personagem de uma fatalidade". "As escolas legalizadas como a nossa, passam por avaliações freqüentes dos inspetores da prefeitura que constatam a conformidade de nossas práticas", destaca a creche.
"As acusações à escola como pré-ciência de maus tratos, má qualidade de alimentação, falta de funcionários, dentre outras barbaridades que estão sendo veiculadas, se analisadas com um pouco de bom senso e razão, percebe-se que não encontram respaldo e são fruto de oportunismo e falta de sensibilidade", acrescenta, por meio de nota. (leia a íntegra)
Segundo a família, a morte do bebê só foi constatada quando o pai foi buscá-lo. Ele conta que esperou por cerca de 5 minutos até uma funcionária avisá-lo que Gabriel "estava roxo". Júlio chegou a levar o filho para um hospital, mas, após tentativa para reanimar a criança por 40 minutos, ela não resistiu e morreu.
De acordo com a família, durante os procedimentos para reanimar Gabriel, os médicos encontraram restos de alimentos no bebê, o que dificultou a entubação.
A creche destaca que adotou todos os procedimentos necessários de segurança com Gabriel "como alimentação e descanso na posição vertical e arroto, por exemplo". Ainda em sua defesa, a creche informou que comunicou ao Corpo de Bombeiros e reiterou que a morte da criança foi uma fatalidade.
Com informações de Livia Machado, do Último Segundo
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