24/07 - 13:10 , atualizada às 13:53 24/07 - Redação com Agência Brasil
BRASÍLIA - O deputado Raul Jungmann (PPS-PE) pediu nesta quinta-feira à Polícia Federal que investigue a ação das milícias e de traficantes de pressionar moradores de comunidades cariocas a votar, nas eleições municipais de outubro, em candidatos apoiados por eles.
O deputado recebeu denúncias de que esses grupos estariam ameaçando de morte pessoas do Complexo do Alemão e do Morro da Rocinha, que se recusassem a votar nos candidatos determinados por eles. Segundo o deputado, isso é crime eleitoral e este tipo de matéria é de atribuição federal.
"Crime eleitoral é Justiça Federal e é também Polícia Federal. A Justiça Eleitoral tem poder para colocar a Polícia Federal e até o próprio Exército [no caso], pois onde tem votação tem a ocorrência da intervenção da Justiça Eleitoral, cuidando da lisura de todas as votações", afirmou.
Ele também sugeriu que a Polícia Federal e as polícias do Rio de Janeiro, que já investigam a atuação das milícias e do tráfico de drogas, trabalhem juntas.
"Cada um na sua esfera, na sua atribuição, deveriam atuar juntas", disse.
Voto secreto
O Tribunal Regional Eleitoral do Rio de Janeiro (TRE-RJ) informou, através de sua assessoria de imprensa, que já recebeu mais de 20 denúncias desse tipo, e encaminhou todas para a Polícia Federal.
Ainda segundo a assessoria, o TRE não pode intervir em assuntos policiais e esse é um assunto de segurança pública, porém, para tentar acabar com essa prática, está lançando uma campanha chamada "o voto é só seu",para conscientizar os eleitores de que o voto é pessoal e intransferível e não deve ser influenciado por ninguém.
Candidata barrada
No dia seis de julho, a candidata a vereadora pelo PT, Ingrid Gerolimich, foi impedida de realizar campanha política na favela da Rocinha, na zona Sul do Rio. Segundo a candidata, ela foi barrada porque os traficantes do local já escolheram os candidatos que querem no poder.
"No dia 6 de julho iríamos lá, mas recebemos recado dos moradores de que não poderíamos entrar, pois o tráfico não queria", disse.
Ingrid relatou também que sua equipe foi informada de que eles não podem fazer campanha política na favela do Rio das Pedras, em Jacarepaguá. A candidata disse que protocolou um ofício na Secretaria de Segurança Pública do Estado do Rio de Janeiro e no Tribunal Regional Eleitoral (TRE) denunciando o caso e solicitando escolta.
"Quero que o ofício se estenda também aos outros candidatos, pois isso fere nosso direito de ir e vir", afirma. "Se não formos do tráfico ou das mílicias não teremos chance?!", questiona.
Procurada, a Secretaria de Segurança Pública enviou nota oficial em que diz que o procedimento correto de qualquer candidato que se sinta ameaçado é registrar queixa na delegacia.
"Posteriormente, ele deve recorrer ao TRE que garantirá, mediante necessidade de reforço policial ou não, o direito de fazer campanha em qualquer área pública. Até o momento, a Secretaria de Segurança sabe de declarações relativas a estes fatos, porém não foi informada de nenhum registro formal de fato semelhante em delegacia", diz a nota.
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