24/07 - 18:56 - Carollina Andrade - Último Segundo/Santafé Idéias
BRASÍLIA – O casal Alexandre Nardoni e Anna Carolina Jatobá, acusado de assassinar Isabella Nardoni no dia 29 de março, ainda não teve o pedido de habeas-corpus julgado pelo presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), ministro Gilmar Mendes, devido o atraso na entrega das correspondências provocado pela greve dos Correios. No último dia 17, Mendes solicitou a 2ª Vara do Tribunal do Júri da capital de São Paulo mais informações sobre o caso. Porém, até a tarde desta quinta-feira a Justiça de São Paulo não havia recebido o pedido do ministro.
Segundo informou a assessoria do STF, o documento foi enviado via Correio apenas no último dia 21, e devido à greve levaria “algum tempo” para chegar ao seu destino. Questionado sobre se o documento não poderia ter sido enviado via fax, a assessoria da Corte informou que a “normalidade” dentro do Tribunal é o despacho por Correio.
O STF lembrou ainda que a defesa do casal poderia ter pedido “agilidade” na tramitação do despacho, e até que o documento fosse enviado via fax. “A defesa poderia vir ao STF, pegar o despacho do presidente e levar até a 2ª Vara do Tribunal do Júri da capital de São Paulo. Isso agilizaria o pedido do habeas-corpus”, ressaltou a assessoria.
Surpresa para a defesa
O advogado Marco Polo Levorin, responsável pela defesa de Alexandre e Anna Carolina, informou nesta quinta que não estava ciente de que despacho emitido pelo presidente da Corte não havia chegado ao Tribunal de São Paulo.
Durante entrevista, o advogado questionou o motivo pelo qual a Corte não enviou o despacho do presidente Gilmar Mendes via fax, uma vez que os funcionários do Correios encontravam-se em greve.
Aproveitando a conversa, Marco Pólo perguntou ainda se o ministro Gilmar Mendes havia saído de recesso e o dia que ele voltaria ao trabalho. Após obter as informações de que o presidente da casa havia saído no último dia 21 e que só retornaria no início de agosto, o advogado permaneceu em silêncio. Questionado se ele preferia que Mendes julgasse o pedido de liberdade do casal, Marco Pólo ressaltou: “Não, não, mas temos que analisar melhor este caso”.
A confusão
Em contato com a 2ª Vara do Tribunal do Júri da capital de São Paulo, a assessoria informou que as informações solicitadas pelo ministro Gilmar Mendes não haviam chegado a Vara. O STF, por sua vez, informou que os documentos haviam ido via Telex (sistema de comunicação escrita que transmite textos escritos à distância, por uma linha telefônica). A vara negou trabalhar com este sistema.
Após uma hora tentando localizar o despacho, a assessoria da Corte informou que o documento havia sido enviado via Correio, mas garantiu que a Justiça Brasileira, principalmente o STF, ainda trabalha com Telex.
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