18/07 - 19:57 , atualizada às 06:49 19/07 - Carolina Garcia, do Último Segundo
SÃO PAULO - O banqueiro Daniel Dantas e mais nove pessoas ligadas ao Grupo Opportunity foram indiciados, nesta sexta-feira, por formação de quadrilha e gestão fraudulenta, segundo o advogado Nélio Machado. O indiciamento foi feito pelo delegado Protógenes Queiroz, que, após a saída, do banqueiro leu uma carta onde diz que deixa o caso "cumprindo determinação" do presidente Lula.
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| Dantas deixa a sede da PF nesta sexta |
Dantas deixou a Polícia Federal acompanhado de seus advogados e não falou com a imprensa. Ele chegou ao prédio por volta das 14h20, com vinte minutos de atraso já que o depoimento estava marcado para às 14h.
De acordo com uma nota divulgada pela PF, as pessoas que prestaram depoimento nesta sexta foram: Verônica Valente Dantas (esposa de Daniel Dantas), Carlos Bernardo Torres Rodenburg, Itamar Benigno Filho, Norberto Aguiar Tomaz, Arthur Joaquim de Carvalho, Eduardo Penido Monteiro, Maria Amália Delfim de Melo Coutrim, Dório Ferman, Danielle Silbergleid Ninio. Todas elas fazem parte do Grupo Opportunity.
O indiciamento é o ato final do trabalho do policial. Depois que o relatório é finalizado, ele é analisado pelo Ministério Público Federal, que decide se apresenta ou não denúncia à Justiça Federal.
"Todo poder emana do povo"
Após Dantas deixar o prédio da PF, ainda na noite desta sexta-feira, Protógenes Queiroz entregou o relatório final do inquérito aos seus superiores. Ao fazer o anúncio, o delegado apenas leu um documento e não respondeu a perguntas dos jornalistas.
No documento, Protógenes faz agradecimentos aos juízes Fausto de Sanctis, da 6ª Vara Criminal Federal, e Marcio Rached Milani, da 7ª Vara Federal Criminal, aos procuradores públicos Rodrigo de Grandis e Ana Mara, a delegados federais que atuaram no caso, ao ex-diretor geral da Polícia Federal Paulo Lacerda e ao atual Luiz Fernando Corrêa, e aos superintendentes da PF no Rio de Janeiro e São Paulo.
Ao ler o documento, Protógenes disse que estava "cumprindo determinação" do presidente Luiz Inácio Lula da Silva e de seus superiores. Afirmou ainda que estava apresentando hoje "nossa singela contribuição na condução da Operação Satiagraha".
Sem esclarecer o motivo de seu afastamento das investigações, o delegado também fez um agradecimento especial "aos policiais federais abnegados, que cumpriram seu dever profissional".
Protógenes encerrou a leitura do documento citando a frase da Constituição que o jurista e advogado Sobral Pinto abriu o seu discurso no comício das Diretas Já: "Todo poder emana do povo e em seu nome é exercido".
Confusão no afastamento do caso
| AE |
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| Protógenes Queiroz comandou investigações |
Na quinta-feira, a Polícia Federal divulgou gravações da reunião entre o delegado Protógenes Queiroz e seus superiores, na qual teria se decidido pelo afastamento do delegado do caso.
Porém, os áudios, alguns editados e com trechos inaudíveis, não esclarecem se houve pressão da cúpula da PF ou se Protógenes deixou clara sua opção pessoal para desistir do caso. (Leia a transcrição e ouça os áudios aqui)
Conforme a Polícia Federal, ao final do curso Protégenes Queiroz pode reassumir o comando das investigações.
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