17/07 - 18:22 , atualizada às 18:26 17/07 - Redação
RIO DE JANEIRO - A existência de um grupo miliciano autodenominado “Liga da Justiça” na zona Oeste do Rio foi confirmada pelos promotores de Justiça Jorge Magno e Bruno Stibich à CPI das milícias durante reunião nesta quinta-feira.
| Érica Ramalho |
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| Promotores prestam depoimento à CPI das milícias |
“Algumas coisas não são novas, mas precisam ser ditas. É importante para nossas atividades ter o Ministério Público como fonte. Sabemos que existem extorsões, controle do poder através da violência e tudo mais, mas essa parceria nos subsidia e também amplia nossa investigação trazendo nomes”, ressaltou o parlamentar.
A relação entre o domínio econômico e político e o histórico da milícia também foram abordados pelo promotor Jorge Magno, que trabalha na região desde 2001.
“De início, as pessoas desempregadas encontraram no transporte alternativo um meio de sobrevivência e, para tentar ganhar legitimidade, formaram cooperativas. Observado o alto lucro da iniciativa que arrecadava, na época, cerca de R$ 700 mil por mês, o grupo resolveu tomar o controle do serviço”, contou Magno, acrescentando que, na seqüência, as milícias passaram a vislumbrar a possibilidade de lucros também de outras formas.
“O número de homicídios na região é muito alto. E a maioria não é solucionada porque ninguém quer depor contra a milícia”, contou Magno.
Segundo os promotores, o inquérito para investigar a atuação da milícia em Campo Grande surgiu exatamente pelo grande número de homicídios cometidos por policiais contra policiais. O promotor Bruno Stibich destacou ainda a questão política que envolve as milícias a afirmou que, em época eleitoral, o território é dividido e alguns candidatos são proibidos de realizar campanhas em locais pré-determinados de outros candidatos, integrantes da milícia.
“Há denúncias de que a população é obrigada a votar em certos candidatos”, disse.
Segundo o promotor, qualquer trabalho, como da Promotoria e da CPI, será em vão, caso o Estado não consiga oferecer à população os serviços sociais.
“Podemos investigar, enfraquecer o grupo, mas o braço político é extenso e, se o Estado não oferecer, principalmente, Segurança Pública, outro grupo miliciano tomará o poder, ou o próprio tráfico de drogas”, afirmou.
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